Geórgia acusa Rússia de violar trégua ao usar tanques e saquear Gori

Misha Vignanski Tbilisi, 13 ago (EFE).- A Geórgia acusou hoje a Rússia de descumprir sua promessa de cessar-fogo ao usar seus carros de combate e saquear a cidade de Gori, a 70 quilômetros de Tbilisi.

EFE |

"A Rússia violou de forma traiçoeira a palavra de cessar-fogo que deu a (o presidente da França, Nicolas) Sarkozy", afirmou o secretário do Conselho de Segurança Nacional da Geórgia, Alexander Lomaya.

Segundo a emissora "Rustavi-2", blindados russos destruíram as instalações militares da Brigada de Artilharia do Exército georgiano em Gori.

Estas instalações tinham sido abandonadas pelas forças georgianas após a contra-ofensiva das tropas russas na Ossétia do Sul, por isto a Geórgia não está fazendo resistência.

Moradores de Gori, que fica a poucos quilômetros da região separatista da Ossétia do Sul, estimam em cerca de 50 os carros de combate russos que entraram na cidade por volta das 10h (3h, horário de Brasília).

Lomaya disse que as tropas russas não usaram a força contra a população civil, mas denunciou "saques" realizados contra elementos "do norte do Cáucaso".

"Após bombardear a cidade, as tropas russas permitiram a entrada dos norte-caucasianos que saqueiam casas e lojas e humilham a população", declarou.

Lomaya não explicou se os elementos "do norte do Cáucaso" aos quais se referia eram os "voluntários" das repúblicas russas do Cáucaso Norte que se alistaram após a eclosão do conflito na Ossétia do Sul.

Os agressores exigiram a saída de Gori da Cruz Vermelha, segundo Lomaya, que exigiu uma investigação internacional para "punir os culpados" e adiantou que está sendo organizada uma missão de embaixadores ocidentais para seguirem com urgência para a região.

Além disso, os carros de combate russos bloquearam a estrada que une Gori a Tbilisi, informou hoje à Agência Efe o porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili.

O comando das forças de paz russas na Ossétia do Sul desmentiu as declarações dos funcionários georgianos.

"Não há forças de paz russas nem outras unidades na cidade de Gori", garantiu um porta-voz do comando militar à agência russa "Interfax".

Por sua parte, o subchefe do Estado-Maior do Exército russo, Anatoly Nogovitsyn, acusou as forças georgianas de não respeitarem o cessar-fogo e negou que as forças russas tenham se dirigido para Tbilisi, como informou parte da imprensa.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, pediu hoje uma investigação internacional das ações militares russas em território georgiano e acusou Moscou de "limpeza étnica".

"O desfiladeiro de Kodori (Abkházia) foi bombardeado por aviões russos. Peço uma investigação internacional para descobrir de quem são estas bombas. Para que não nos acusem", declarou Saakashvili em entrevista coletiva exibida ao vivo pela TV.

Saakashvili afirmou isto em entrevista coletiva conjunta com os presidentes da Polônia, Lech Kaczynski, da Ucrânia, Viktor Yushchenko, da Lituânia, Valdas Adamkus, da Estônia, Toomas Hendrik Ilves, e com o primeiro-ministro da Letônia, Ivars Godmanis.

Adamkus destacou que "a comunidade internacional deve ser mais ativa" e acrescentou que as "tropas de ocupação devem ser retiradas e substituídas por forças internacionais de paz".

Por sua parte, Kaczynski afirmou que "os princípios da segurança européia foram violados" e defendeu a intervenção dos líderes dos países mais influentes.

Ilves denunciou que as ações militares russas representam uma "aberta agressão contra a Geórgia" e instou a União Européia (UE) e os Estados Unidos a não ignorarem esta situação.

Por sua vez, o ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou hoje que Moscou colocou fim à operação militar na Geórgia, pois já conseguiu "os objetivos" e "não porque o presidente (dos EUA, George W.) Bush exigiu".

Lavrov negou as declarações de Washington de que "Moscou é parte do conflito e não pode, portanto, cumprir sua missão de paz".

A Procuradoria russa iniciou hoje os interrogatórios dos prisioneiros de guerra georgianos para documentar o "genocídio" cometido pelo Exército da Geórgia contra a população civil na Ossétia do Sul.

Após cinco dias de ações militares, Rússia e Geórgia aceitaram o plano de regra do conflito apresentado ontem por Sarkozy em nome da UE e que prevê o retorno das tropas russas e georgianas a suas posições iniciais. EFE mv/wr/fal

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