Geórgia acusa Rússia de tentar manter controle de seu território

Misha Vignanski Tbilisi, 19 ago (EFE) - O Governo da Geórgia acusou hoje as tropas russas de não estarem se retirando do território georgiano, e de tentarem estabelecer postos para controlar cidades e estradas do país. Em vez de se retirarem, os russos querem instalar postos para controlar nossos centros urbanos e estradas, disse à rádio Imedi o vice-primeiro-ministro da Geórgia, Giorgi Baramidze. Ele fez estas declarações de Gori, cidade georgiana estratégica, ocupada desde a semana passada pelas forças russas e que se encontra 70 quilômetros ao noroeste de Tbilisi. No entanto, para Baramidze - a quem o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, encomendou as políticas de integração com a União Européia (UE) e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) -, o Ocidente não permitirá esta atitude por parte da Rússia. Gori, a cidade natal do ditador soviético Josef Stalin, situada a 25 quilômetros da Ossétia do Sul, continuava sob controle das forças russas esta tarde. Não podemos confirmar se as tropas de ocupação estão se retirando da cidade, pois não temos acesso a ela, disse à Agência Efe o porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili. Enquanto em Moscou o comando militar russo prometia acelerar a retirada de suas tropas, soldados russos, que anteriormente tinham abandonado o porto georgiano de Poti, retornaram hoje a essa cidade às margens do Mar Negro e explodiram duas lanchas, segundo a televisão pública da ...

EFE |

Nós faremos isto no ritmo que a situação ditar" na zona de conflito, destacou em entrevista coletiva o chefe adjunto do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Rússia, general Anatoli Nogovitsin.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, comunicou hoje ao chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, que a retirada das tropas russas da Geórgia terminará até os dias 21 e 22, com exceção de um contingente de 500 pessoas, informou o Palácio do Eliseu.

Esse grupo é formado por 500 pessoas encarregadas de colocar em prática as medidas "adicionais de segurança" previstas no ponto 5 do acordo do dia 12, afirma o comunicado conjunto dos dois presidentes, divulgado após uma conversa por telefone entre eles.

Pela primeira vez desde o início do conflito, Geórgia e Rússia efetuaram hoje uma troca de prisioneiros de guerra.

A parte georgiana entregou cinco militares à Rússia, dois deles pilotos, cujos aviões foram derrubados quando sobrevoavam território georgiano. Em troca, Tbilisi recebeu 15 militares georgianos.

O presidente da Comissão de Defesa e Segurança do Parlamento da Geórgia, Giorgi Targamadze, comunicou hoje ao Legislativo que pelo menos 215 georgianos morreram e outros 1.496 ficaram feridos nas ações militares que tiveram início no último dia 8 na Ossétia do Sul.

Segundo Targamadze, outros 70 cidadãos georgianos continuam desaparecidos.

Ele também disse que das vítimas mortais 69 eram civis, 133 soldados e 13 policiais.

Segundo os líderes da região separatista da Ossétia do Sul, pelo menos 2.100 civis da Ossétia do Sul morreram no ataque cometido pelas tropas georgianas contra essa autoproclamada república, cuja independência não é reconhecida.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos puseram em dúvida a veracidade dos números de vítimas oferecidas pelos separatistas.

Esta noite é esperada a chegada a Tbilisi do ministro de Assuntos de Exteriores britânico, David Miliband, que informará Saakashvili sobre os resultados da reunião dos chefes das diplomacias dos países da Otan realizada em Bruxelas, e permanecerá capital georgiana até a quarta-feira.EFE bsi/ab/db

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