Misha Vignanski Tbilisi/Moscou, 23 ago (EFE).- A Geórgia prolongou hoje por duas semanas o estado de guerra decretado no país, após denunciar que a Rússia descumpriu seu compromisso de fazer suas tropas recuarem para as regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia antes desta sexta-feira.

O Parlamento georgiano aprovou o pedido do presidente Mikhail Saakashvili, que argumentou que a prorrogação era necessária "porque as tropas russas permanecem na Geórgia em uma violação ao acordo de cessar-fogo".

O estado de guerra, previsto para durar duas semanas, foi decretado na região do Cáucaso no último dia 8, quando o Exército russo entrou na Geórgia para defender a Ossétia do Sul de um ataque das tropas georgianas e depois bombardeou e ocupou várias áreas do interior do país.

Ontem, os presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e da França, Nicolas Sarkozy, chegaram a pedir que a Rússia concluísse o recuo de suas tropas, solicitação feita duas horas depois de o ministro da Defesa russo, Anatoly Serdyukov, ter anunciado o fim desse processo ao chefe do Kremlin, Dmitri Medvedev.

Em Moscou, o subchefe do Estado-Maior do Exército russo, Anatoly Nogovitsyn, reafirmou neste sábado que as tropas russas terminaram ontem seu retorno às regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia e que "todas as estradas" fora das duas zonas de conflito foram desbloqueadas.

O general russo disse ainda que 36 postos militares foram instalados nas "faixas de segurança" em torno das duas regiões, russos - 18 em cada uma -, os quais estão a cargo de 2.142 soldados, no caso da Abkházia, e de outros 452, na Ossétia do Sul.

No entanto, Tbilisi denunciou hoje que os militares russos mantêm sob seu controle zonas estratégicas do país, além de localidades como o porto de Poti, no Mar Negro, e a cidade de Senaki, no oeste do país e perto da Abkházia.

O caso é que a zona de segurança desenhada pelo comando militar da Rússia inclui praticamente toda a Geórgia central e deixa as comunicações vitais do país sob o controle das tropas russas.

"A situação só melhorou ligeiramente após o recuo das principais unidades da Rússia, mas suas tropas mantêm o controle de vários territórios estratégicos, ou seja, as forças de ocupação dão continuidade a suas ações militares", destacou o deputado georgiano David Darchiashvili.

O próprio Nogovitsyn declarou que as tropas russas prosseguirão com suas patrulhas no porto de Poti, onde construíram grandes fortificações, apesar de o local estar a 200 quilômetros da Ossétia do Sul e a 60 da Abkházia.

"As zonas de segurança são legítimas e foram estabelecidas dentro dos acordos existentes. Em princípio, esta é a nossa postura", afirmou o general.

No entanto, a ministra de Assuntos Exteriores da Geórgia, Eka Tkeshalashvili, respondeu que o acordo de cessar-fogo não prevê a criação de zonas de segurança permanentes em torno da Ossétia do Sul, mas apenas o patrulhamento do entorno da capital osseta, Tskhinvali.

Nogovitsyn reiterou que o Exército russo cumpre ao pé da letra o plano de paz apresentado pela União Européia (UE) e assinado por Medvedev e Saakashvili.

"Toda a atividade do contingente de paz russo responde aos seis princípios do plano estipulado pelos presidentes da Rússia e da França", declarou.

Enquanto isso, o presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, viajou hoje a Moscou para entregar ao Kremlin o pedido para o reconhecimento de sua independência, similar ao aprovado pela Abkházia.

"Viajo à capital russa para entregar nosso pedido aos órgãos de poder da Federação Russa. Espero que a Rússia tome uma decisão correta em resposta à solicitação para o reconhecimento de nossa independência", declarou Kokoiti.

Recentemente, o presidente russo afirmou a Kokoiti e ao presidente da Abkházia, Serguei Bagapsh, que "apoiará qualquer decisão tomada pelas populações" das regiões separatistas.

Medvedev enfatizou que essas decisões devem estar "em consonância com a Carta de Fundação da ONU, a Convenção Internacional de 1966 e o Ato de Helsinque sobre a segurança na Europa".

"Não só vamos apoiar, mas vamos garantir, tanto no Cáucaso quanto no resto do mundo", disse Medvedev. EFE mv/wr/sc

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