TBILISI - A Geórgia acusou a Rússia de romper nesta quarta-feira um cessar-fogo ao enviar seus soldados da região separatista da Ossétia do Sul para outros territórios georgianos, mas o governo russo negou ter realizado qualquer incursão.

O presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, disse que forças russas haviam rompido o cessar-fogo anunciado na terça-feira pelo presidente russo, Dmitry Medvedev. "Neste momento, tanques russos estão atacando Gori", afirmou Saakashvili em uma entrevista coletiva.

Previamente, a Geórgia havia acusado a Rússia de enviar dezenas de tanques e veículos blindados usados no transporte de soldados para as ruas de Gori, centro da mobilização militar georgiana quando o conflito iniciou-se na Ossétia do Sul, na semana passada.


Georgiana exibe estragos em edifício de Gori / Getty Images

Testemunhas contaram que soldados russos haviam montado ao menos dois postos de controle a vários quilômetros de Gori, que fica 25 quilômetros ao sul de Tskhinvali, a principal cidade da Ossétia do Sul e que atualmente se encontra sob controle russo.

Autoridades da Rússia rebateram as acusações da Geórgia sobre seus soldados estarem em Gori. O Estado-Maior russo mais tarde negou as informações de que suas forças estariam se locomovendo rumo à capital georgiana.

"Nenhum soldado ou veículo blindado russo desloca-se rumo a Tbilisi", disse o coronel-general Anatoly Nogovitsyn, vice-chefe do Estado-Maior da Rússia.

Acordo de paz

Os ministros de Exteriores dos 27 países-membros da União Européia realizam nesta quarta-feira um encontro extraordinário no qual aprovarão a trégua entre Rússia e Geórgia , acertada com a mediação da presidência francesa do bloco, e avaliarão as necessidades de ajuda humanitária para atender às vítimas do conflito.

Rússia e Geórgia aceitaram na terça-feira o plano apresentado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em nome da União Européia (UE) e que prevê o retorno das tropas russas e georgianas a suas posições anteriores ao conflito.

Sarkozy, que mediou as negociações na qualidade de presidente rotativo da UE, conseguiu o consentimento de ambos os países com o plano, após visitas a Moscou e Tbilisi, nas quais se reuniu com os presidentes russo, Dmitri Medvedev, e georgiano, Mikhail Saakashvili.

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Com AFP, EFE e Reuters

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