Geórgia acusa Rússia de abater avião teleguiado

Por Margarita Antidze TBILISI (Reuters) - A Geórgia ex-soviética disse na segunda-feira que um jato da Força Aérea russa abateu uma aeronave georgiana de reconhecimento não-tripulada, num ato de agressão não provocada, mas Moscou qualificou a alegação de bobagem.

Reuters |

Autoridades em Tbilisi mostraram imagens de vídeo que disseram ter sido feitas com a câmera a bordo do avião sem tripulantes e que, afirmaram, mostram um jato militar russo MiG-29 disparando um míssil contra o avião georgiano quando ele sobrevoava a região separatista georgiana de Abkázia.

A acusação deverá agravar as tensões entre Moscou e Tbilisi, que enfrentam um impasse devido às ambições da Geórgia de entrar para a Otan e o apoio dado por Moscou a regiões separatistas da Geórgia.

'O governo da Geórgia condena fortemente o ato de agressão não provocada ocorrido em 20 de abril de 2008 na Geórgia', disse o Ministério do Exterior georgiano em comunicado. O ministério convocou o embaixador russo para lhe entregar uma nota de protesto.

Um porta-voz da Força Aérea russa, indagado sobre a alegação da Geórgia, respondeu: 'É bobagem. O que um caça russo estaria fazendo sobrevoando território da Geórgia?'.

As imagens de vídeo fornecidas à Reuters pela Força Aérea georgiana mostram um jato inclinando-se lateralmente para enfrentar o avião não-tripulado. Um clarão breve pôde ser visto quando o míssil foi lançado e dirigiu-se ao avião de reconhecimento. Alguns segundos depois, a tela apagou.

Não havia marcações visíveis no avião que disparou o míssil.

O coronel David Nairashvili, comandante da Força Aérea da Geórgia, disse à Reuters: 'No dia 20 de abril um caça russo MiG-29 abateu uma aeronave não-tripulada e desarmada que fazia reconhecimento básico sobre território georgiano.'

'A presença de um MiG-29 russo ali é totalmente ilegal.'

'O MiG-29 tem marcações próprias em sua cauda dupla. É uma aeronave russa. A Geórgia não possui esse avião, e tampouco os separatistas abkazes', disse o comandante da Força Aérea.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado Tom Casey disse que os EUA estão preocupados com relatos do incidente e pediram informações ao governo russo.

Situada na costa do Mar Negro, a Abkázia é reconhecida internacionalmente como parte da Geórgia. Desde o início da década de 1990 a região está sob o controle de separatistas apoiados por Moscou.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidasdiscutirá nesta segunda-feira a possibilidade de promover, a pedido da Geórgia, uma reunião especial para tratar da questão da Abkázia.

O embaixador da Geórgia na ONU, Irakli Alasania, disse que, se a reunião for ocorrer, o ministro de Relações Exteriores, David Bakradze, participará e apresentará evidências do ataque.

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