Geórgia acusa Moscou de ocupar maior parte de seu território

A Geórgia acusou na noite desta segunda-feira as tropas russas de estarem ocupando a maior parte de seu território, e o Exército georgiano se preparava para defender a capital, Tbilisi.

AFP |

"A maior parte do território da Geórgia está ocupada", declarou o presidente georgiano, Mikhail Saakasvhili, em discurso transmitido pela televisão.

A Rússia "parece ter a intenção de derrubar o governo", considerou o secretário do Conselho de segurança georgiano, Alexander Lomaya.

"O exército de invasão da Federação da Rússia entrou no território georgiano. O Exército georgiano se retirou para defender a capital", proclamou na noite desta segunda-feira o governo da Geórgia.

No entanto, Saakasvhili pediu aos habitantes de Tbilisi que mantenham a calma, garantindo que a capital ainda não está diretamente ameaçada pelas forças russas.

Moscou admitiu que suas tropas penetraram pela primeira vez desde o início do conflito na Geórgia, fora das regiões separatistas pró-russas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Porém, as forças russas não têm a intenção de invadir Tbilisi, afirmou nesta segunda-feira um representante do ministério russo da Defesa, citado pela agência Interfax.

A Rússia também desmentiu que suas tropas estejam ocupando a cidade de Gori, a 90 km de Tbilisi. "As tropas russas não ocuparam a cidade de Gori", garantiu o ministério russo da Defesa.

Lomaya havia anunciado mais cedo que as forças russas estavam ocupando Gori, a cidade onde nasceu Joseph Stalin.

Quase 80% dos 50.000 habitantes de Gori fugiram, por medo dos bombardeios russos, segundo um porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (HCR).

De acordo com um repórter norueguês presente no local, tropas russas também entraram nesta segunda-feira na cidade georgiana de Zugdidi, perto da república separatista georgiana da Abkházia.

O presidente da Geórgia pediu ajuda. "Tudo o que recebemos da comunidade internacional foi ajuda humanitária e declarações. Precisamos de muito mais", declarou.

A presidência francesa da União Européia (UE) estava nesta segunda-feira tentando negociar um cessar-fogo entre as duas partes.

O representante permanente da Rússia na Otan, Dmitri Rogozin, obteve a organização terça-feira de uma reunião extraordinária entre Otan e Rússia, afirmando que o presidente georgiano "já não é mais um homem com quem se pode negociar".

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, se disse favorável ao envio à Ossétia do Sul de uma missão da Organização pela Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), devido à "ccatástrofe humanitária" provocada pela "agressão georgiana".

O Conselho de Segurança da ONU devia se reunir novamente nesta segunda-feira, segundo um porta-voz das Nações Unidas.

Os presidentes de cinco países da ex-União Soviética, a Polônia, a Ucrânia e os três países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), vão viajar a Tbilisi para apoiar a Geórgia, segundo um conselheiro do presidente polonês Lech Kaczynski.

A situação humanitária na Ossétia do Sul e na Geórgia é "muito grave", segundo o Comitê Internacional da Ccruz Vermelha (CICV), que destacou "o alto número de vítimas civis" e se prepara para enviar 15 toneladas de remédios e equipamentos médicos.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, criticou duramente os Estados Unidos, acusando Washington de "perturbar" as operações militares russas ajudando a repatriar os soldados georgianos do Iraque". Ele denunciou o "cinismo" americano e sua "capacidade para apresentar o agressor como a vítima da agressão".

Putin comparou as autoridades georgianas ao ex-ditador iraquiano Saddam Hussein.

De acordo com o comando russo, as perdas na Ossétia do Sul se elevam a 18 soldados mortos, 52 feridos e quatro aviões abatidos. Quatorze militares estão desparecidos.

No entanto, segundo Tbilisi, pelo menos 18 aviões militares russos foram abatidos e "centenas de soldados russos" morreram nos combates.

Nesta segunda-feira, um avião de combate georgiano foi abatido perto de Tskhinvali, segundo as autoridades ossetas.

Na Geórgia, o aeroporto internacional, a periferia de Tbilisi e Poti, um porto no Mar Negro perto de um terminal de petróleo, foram bombardeados pela aviação russa durante a noite, segundo as autoridades georgianas. Alguns destes ataques foram confirmados por testemunhas.

Apesar dos bombardeios, o aeroporto de Tbilisi funcionava normalmente nesta segunda-feira. Alguns radares "foram levemente danificados", admitiu o ministério georgiano do Interior.

A Rússia enviou 9.000 soldados suplementares à Abkházia, elevando para 11.500 o número de militares russos presentes na região separatista, segundo uma fonte do comando russo.

De acordo com o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, o presidente georgiano "aceitou praticamente todas as propostas" da UE - da qual a França é atualmente a presidente - e da OSCE para resolver o conflito.

Saakashvili assinou um documento contendo "propostas de paz", apoiado pela UE e que será transmitido à Rússia, anunciou o porta-voz Alexander Lomaya.

No entanto, o primeiro vice-primeiro ministro russo, Serguei Ivanov, descartou as propostas da UE para um cessar-fogo, afirmando que Moscou deseja "um acordo escrito assinado pela Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkházia proibindo o uso da força no futuro".

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, é aguardado terça-feira em Moscou para "tentar finalizar" um acordo de cessar-fogo. Ele também viajará à Geórgia, anunciou o presidente Saakashvili.

Kouchner se deslocou na noite desta segunda-feira a um campo de refugiados ossetas em Vladikavkaz, no sudoeste da Rússia, antes de seguir para Moscou.

Os ministros das Relações Exteriores do G7 exortaram a Rússia a aceitar "um cessar-fogo imediato". A Comissão Européia pediu o fim "imediato" das operações russas na Geórgia.

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