Geórgia abandona Tskhinvali e oferece negociação com Rússia

Misha Vignanski Tbilisi/Moscou, 10 ago (EFE).- A Geórgia recuou hoje suas tropas da capital da região separatista da Ossétia do Sul, Tskhinvali, anunciou um cessar-fogo unilateral e propôs à Rússia urgentes negociações de paz, para as quais Moscou impôs várias condições.

EFE |

"A Geórgia está disposta a iniciar imediatamente negociações com a Federação da Rússia sobre o cessar-fogo e o fim das operações militares", diz a nota entregue pela Chancelaria georgiana à embaixada russa em Tbilisi.

A parte georgiana afirma que criou um corredor de segurança para a retirada da população e dos feridos da zona de combates e que também recuou suas tropas.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Rússia admitiu ter recebido a nota, mas afirmou que a parte georgiana não cessou as operações militares na Ossétia do Sul conforme prometido e que suas forças continuam disparando, inclusive com armas pesadas.

A Chancelaria russa condicionou a cessação das hostilidades à retirada das tropas georgianas e à renúncia de Tbilisi ao emprego da força contra os regimes separatistas pró-russos.

"As condições do presidente (Dmitri Medvedev) são a retirada das tropas georgianas (...) e o compromisso da Geórgia, por escrito, de não empregar a força na Ossétia do Sul", declarou o vice-ministro de Assuntos Exteriores russo, Grigory Karasi.

Medvedev expôs estas condições em uma conversa telefônica com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, um dos líderes ocidentais que tentam mediar o conflito.

Karasin afirmou que a Geórgia deve recuar suas tropas à "linha de separação acertada em 1992 nos acordos de Dagomís", nos quais Moscou e Tbilisi acordaram os princípios de regra do conflito armado anterior entre Geórgia e sua região separatista.

Além disso, Tbilisi teria de assinar um acordo vinculativo de renúncia ao emprego da força na Ossétia do Sul e na Abkházia, a outra região separatista georgiana, disse Karasin.

No primeiro contato direto entre os Governos, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, reiterou as exigências de retirada das tropas à chanceler georgiana, Eka Tkelashvili, segundo as agências russas.

Em Tbilisi, Aleksandr Lomaya, secretário do Conselho Nacional de Segurança, denunciou o que considera "o aumento da agressão por parte da Rússia".

"A Rússia enviou (à Ossétia do Sul) dezenas de carros de combate, artilharia e até foguetes táticos, e grande quantidade de infantaria", afirmou Lomaya.

Moscou reitera que enviou suas tropas à região georgiana em uma operação de "imposição da paz" e para defender as forças de paz russas desdobradas na Ossétia do Sul, a cujos habitantes a Rússia concedeu sua cidadania.

Karasin disse que as conseqüências da ofensiva do Exército georgiano na Ossétia do Sul são "catastróficas", ao deixar mais de dois mil mortos e 30 mil refugiados.

"A Rússia luta para que na Ossétia do Sul e na Abkházia, o povo possa viver em paz, sem temer bombardeios noturnos", e para "garantir a tranqüilidade ao sul das fronteiras russas", afirmou.

Ao longo do dia, e mesmo com as pressões internacionais, continuaram os bombardeios russos em todo o território da Geórgia, desta vez incluindo a capital, Tbilisi, onde a pista de decolagem de uma fábrica de aviões foi atacada.

As bombas também caíram sobre o porto de Poti e regiões do distrito de Zugdidi, que faz fronteira com a Abkházia.

O general Anatoli Nagovitsin, subchefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, admitiu os bombardeios fora da Ossétia do Sul, mas afirmou que a aviação só ataca instalações e infra-estruturas militares e não localidades civis.

Para aproveitar a situação, as tropas da Abkházia, apoiadas por terra, céu e mar pelas forças russas, tentam conquistar o desfiladeiro de Kodori, uma área habitada por georgianos que ocupa 15% do território da região.

Na outra fronteira comum, ao longo do rio Inguri, as tropas da Abkházia entraram na área de segurança, controlada pelos capacetes azuis russos.

A frota russa do Mar Negro - que fechou a passagem para a costa da Abkházia a vários navios georgianos e ameaça impor bloqueio naval - também se somou hoje às operações contra a Geórgia.

A Ucrânia, em cujo porto de Sebastopol a frota russa tem sua base, causou uma desagradável surpresa ao advertir que qualquer embarcação que participar do conflito será proibida de voltar. EFE mv/ab/rr

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