Genro do rei da Espanha é convocado a depor em caso de corrupção

Juiz espanhol intimou Iñaki Urdangarín a testemunhar sob suspeita de envolvimento em esquema de desvio de fundos públicos

iG São Paulo |

AP
Genro do rei da Espanha Iñaki Urdangarín faz pronunciamento em Las Vegas em 2010
O genro do rei Juan Carlos da Espanha Iñaki Urdangarín foi intimado nesta quinta-feira por um juiz para testemunhar como suspeito em um caso de corrupção, aprofundando o desconforto da família real em meio à crise econômica que atinge a população do país.

Leia também: Genro de rei da Espanha é acusado de fraude e corrupção

O caso que coloca em suspeita o duque de Palma, marido de Cristina, uma das filhas do rei, foi capa de revistas e jornais espanhóis por semanas, e ganhou nova força nesta quinta-feira, quando o juíz José Castro da ilha mediterrânea de Mallorca, citou Urdangarín formalmente como suspeito em uma investigação criminal. Ele não foi formalmente acusado por nenhum crime até o momento.

O Tribunal Superior de Justiça das Baleares (TSJIB) confirmou em um comunicado que Urdangarín foi convocado para testemunhar em 6 de fevereiro em Palma, capital do arquipélago. O documento de uma página não especifica as alegações.

Mas a mídia espanhola diz que Urdangarin, 43 anos, é suspeito de ter participado de um esquema para se apoderar de fundos públicos, utilizando faturas falsas e infladas com orçamentos e serviços fictício, de falsificação e lavagem de dinheiro em paraísos fiscais.

Urgadangarín presidiu entre 2004 e 2007 o Instituo Nóos, fundação sem fins lucrativos de consultoria que presta serviços na área de esportes para governos regionais e empresas privadas, principalmente nas regiões de Valencia e Mallorca.

Entre os serviços estão assessorias para organização de eventos, patrocínios e relatórios. Ele é suspeito de ter usado a instituição para superfaturar vários desses serviços prestados para grandes empresas.

O caso sobre o Instituto Noos, que a polícia chamou de Operação Babel, começou depois da divulgação de suas atividades no sumário do caso Palma Arena. Essa investigação está instruída há anos pelo juiz Castro em torno de inúmeros casos de suposta corrupção detectados durante o governo das Baleares do ex-presidente desta região espanhola Jaume Matas.

O juiz Castro também chamou para prestar depoimento como o sócio de Urdangarín, Diego Torres, assim como outros membros do Instituto Noos.

Desde 2009, Urdangarín, a princesa e seus quatro filhos vivem em Washington D.C., onde o duque de Palma trabalha para a companhia de telecomunicações Telefônica.

O índice de desemprego na Espanha alcançou 22%, e sua economia permanece estagnada com montanhas de dívidas, o que torna o suposto caso de corrupção envolvendo um membro da família real pior para a monarquia espanhola.

Em 12 de dezembro, o Palácio Real chocou o país ao anunciar que Urdangarín não participaria no momento de cerimônias oficiais envolvendo a família real. E em uma demonstração de transparência sem precedentes, a monarquia tornou público nessa semana os detalhes do quanto a família real recebe do orçamento público. Segundo esse comunicado, o rei Juan Carlos recebe 292.552 euros em salário por ano (cerca de US$ 382.597) e as despesas de seu filho, Felipe, representam cerca de metade desse montante.

No pronunciamento de Natal, o rei expressou preocupação pelo que descreveu como um declínio da confiança entre os espanhóis nas instituições públicas, observação vista como uma referência ao escândalo envolvendo seu genro, um plebeu que era jogador de handball.

'Inocência e honra'

O porta-voz e advogado de Urdangarín disse nessa quinta-feira que seu cliente é inocente e que terá a oportunidade de defender sua honra. Em declarações aos jornalistas, Mario Pascual Vives afirmou que pelas informações publicadas na imprensa nas últimas semanas parecia que havia um "clamor popular" para acusar o duque de Palma.

O advogado, que ainda não entrou em contato nesta quinta-feira com o duque de Palma por causa da diferença de horário com os Estados Unidos, insistiu que ele é "absolutamente inocente".

Ao ser perguntado se o genro do rei suspeitava que acabaria sendo intimado, seu porta-voz disse que pelas notícias publicadas na imprensa, "parecia um clamor popular para que fosse assim, havia um empurrão à justiça para que fizesse assim, e no final foi deste jeito".

"Em muitos veículos da imprensa, escrita, pela televisão e por rádio, foi indicado este sentido, parecia que tinha que ser assim, se considerava que tinha que ser assim pela imprensa", acrescentou.

O porta-voz de Urdangarín lamentou a distribuição de informações sobre a atuação do duque de Palma. Ele acrescentou que confia que esse conjunto de notícias "não tenha uma incidência negativa no desenvolvimento das imediatas atuações que possa ter no processo".

Pascual Vives disse que desconhece se Urdangarin irá à Espanha em breve para preparar sua defesa e que não sabe a razão do duque não ter passado as férias de Natal no país.

Com AP e EFE

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