Genoma do boi pode dar pistas sobre a saúde humana

Por Julie Steenhuysen CHICAGO (Reuters) - Os cientistas que decodificaram o genoma do boi afirmaram na quinta-feira que esse mapeamento pode levar a carnes mais saborosas, um melhor leite e até a novas descobertas sobre a saúde humana.

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A raça Hereford foi a primeira espécie de animal de criação a ter seu genoma sequenciado, e os cientistas acham que isso poderá explicar como o gado evoluiu, por que ele acabou tendo um estômago com quatro cavidades e por que o câncer é raríssimo nesses animais.

"Ter a sequência do genoma agora é a janela para entender como essas coisas ocorreram", disse Harris Lewin, da Universidade de Illinois, que atuou na pesquisa divulgada em dois textos da revista Science.

Lewin participou do Projeto de Sequenciamento do Genoma Bovino, um consórcio internacional de mais de 300 cientistas de 25 países, inclusive o Brasil, que dedicou seis anos a esse trabalho.

"Os mamíferos que examinamos previamente eram animais de laboratório e humanos", disse em nota Kim Worley, da Faculdade de Medicina Baylor, de Houston. "Este é o primeiro animal mamífero de criação que estudamos."

O boi tem pelo menos 22 mil genes, dos quais 80 por cento em comum com os humanos - aliás, os cientistas descobriram que, em termos genéticos, o gado tem mais em comum com as pessoas do que com os ratos, e por isso podem ser mais úteis do que aqueles no estudo da saúde humana.

"O resultado mais excitante que temos é a descoberta de traços do genoma realmente específicos da espécie (...), que nos dizem mais o que faz de uma vaca uma vaca, de um cavalo um cavalo, de uma ovelha uma ovelha, e o que faz de um humano um humano", disse Lewin em entrevista com áudio divulgada no site da Science.

Um segundo grupo, chamado Consórcios Bovinos HapMap, traçou a história da evolução do DNA e da domesticação dos bovinos.

Foram examinadas diferenças do DNA (haplótipos) da família dos bovinos, comparando o sequenciamento da raça Hereford com seis outras raças: Holstein, Angus, Jersey, Limousin, Norwegian Red e Brahman.

Também houve um acompanhamento de quase 500 cabeças de gado de 19 origens geográficas e raciais distintas.

Em geral, a conclusão foi de que o atual gado veio de uma população diversa da África, Ásia e Europa, que passou por uma recente diminuição rápida da sua população, provavelmente devido à domesticação.

Os pesquisadores esperam usar esse mapa da diversidade genética para descobrir traços que indiquem melhorias na produção de leite e carne.

"Isso vai dizer qual gado irá produzir carne ou leite superiores sem investir dinheiro demais para melhorar sua condição", disse David Adelson, da Universidade de Adelaide (Austrália).

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