O Parlamento libanês elegeu neste domingo o novo chefe de Estado, o general Michel Sleimane, na primeira etapa da resolução de uma crise política que dura há 18 meses e provocou violentos enfrentamentos no país.

Sleimane foi eleito por 118 deputados, de um total de 127. Seis deputados votaram em branco, e três escolheram outras pessoas.

O novo presidente prestou juramento e lançou um apelo à unidade dos libaneses.

Ele expressou o desejo de estabelecer relações diplomáticas com a Síria e de elaborarar uma estratégia de defesa contra as violações do território libanês por Israel.

"Convido vocês, políticos e cidadãos, a iniciarem uma nova fase chamada Líbano e libaneses, dedicada aos interesses exclusivos da nação", declarou, depois de pedir um minuto de silêncio em memória "dos mártires do Líbano".

O general prometeu defender a Constituição, a soberania e a independência do Líbano, e exortou os libaneses a deixarem de lado suas divergências para virar uma nova página da história do país.

"Juro por Deus respeitar a Constituição do Líbano e suas regras, e proteger a soberania do Líbano e a integridade de seu território", afirmou.

"Nesta nova era, vamos nos comprometer com um plano de ação nacional no qual os interesses do país serão prioritários em relação aos interesses religiosos e partidários", prosseguiu o general.

Relações com os vizinhos

O novo chefe de Estado destacou que buscará estabelecer relações diplomáticas com a Síria, que apóia a oposição libanesa.

"Queremos relações amistosas com a Síria, baseadas no respeito da soberania mútua e na independência", frisou.

O general também disse que o Líbano precisa elaborar uma estratégia de defesa para enfrentar as violações do território libanês por Israel e libertar o pequeno território das Fazendas de Shebaa, na fronteira com o Estado hebreu.

"As Fazendas de Shebaa permanecem sob ocupação devido às constantes ameaças e violações de nossa soberania por Israel. Precisamos elaborar uma estratégia de defesa nacional para proteger o país", afirmou o presidente.

Desafios

O general Sleimane, comandante-chefe do Exército desde 1998, se tornou aos 59 anos o 12º presidente do Líbano. Ele terá como principal tarefa promover a reconciliação entre dois lados profundamente dividos: a maioria anti-síria, apoiada pelos ocidentais e pela Arábia Saudita, e a oposição liderada pelo Hezbollah xiita, que conta com o apoio do Irã e da Síria.

Ele sucedeu a Emile Lahud, cujo mandato havia expirado em 23 de novembro de 2007.

Sua eleição foi possível graças à assinatura, em 21 de maio em Doha, de um acordo negociado pelo Qatar para resolver a crise no país.

O acordo de Doha suscitou uma onda de otimismo no Líbano. No entanto, ele não resolveu questões cruciais, como a do armamento do Hezbollah.

Além disso, a onda de violência do início de maio, marcada por confrontos mortíferos entre muçulmanos sunitas, simpatizantes do governo e militantes xiitas da oposição, augura uma reconciliação difícil.

O acordo, obtido unicamente graças às concessões feitas pelo governo ao Hezbollah, modifica o equilíbrio das forças políticas no país.

Pelas armas, a oposição formada por xiitas e parte dos cristãos conseguiu impor sua principal reivindicação: uma minoria de bloqueio no futuro governo.

Ela terá 11 pastas, de um total de 30, e poderá utilizar seu direito de veto para impor sua vontade em decisões cruciais, como as relacionadas à segurança do Estado.

Esta reivindicação foi o principal motivo da crise de novembro de 2006, quando os cinco ministros xiitas renunciaram pedindo maiores prerrogativas para a oposição.

O Hezbollah, a única milícia libanesa ainda armada, é o grande vencedor deste acordo, já que a questão de seu desarmamento sequer foi mencionada.

Sleimane deve começar em breve as consultas para formar o governo que deverá levar o Líbano às eleições gerais do início de 2009.

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