General Sleimane assume a presidência do Líbano após 18 meses de crise

O Parlamento libanês elege neste domingo o novo chefe de Estado, o general Michel Sleimane, na primeira etapa da resolução de uma crise política que dura há 18 meses e provocou violentos enfrentamentos no país.

AFP |

O general Sleimane, comandante-chefe do Exército desde 1998, terá como principal tarefa promover a reconciliação entre dois lados profundamente dividos: a maioria anti-síria, apoiada pelos ocidentais e pela Arábia Saudita, e a oposição liderada pelo Hezbollah xiita, que conta com o apoio do Irã e da Síria.

Sua eleição, num momento em que o Líbano estava sem presidente desde novembro de 2007, é possível graças à assinatura, em 21 de maio em Doha, de um acordo negociado pelo Qatar para resolver a crise no país.

Para comemorar esta eleição, duas semanas depois de uma onda de violência que deixou 65 mortos, o país amanheceu neste domingo repleto de bandeiras libanesas e de retratos do general Sleimane.

Os deputados deviam se reunir às 17H00 locais (11H00 de Brasília) no Parlamento, no centro de Beirute, para votar.

Cerca de 200 personalidades foram anunciadas, entre elas o emir do Qatar, Cheikh Hamad ben Khalifa al-Thani, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, e o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner.

Representantes de países que apóiam cada uma das duas partes envolvidas no conflito libanês estarão presentes, como o chanceler saudita Saud al-Fayçal e seus colegas sírio, Walid Muallem, e iraniano, Manuchehr Mottaki.

O general Sleimane, 59 anos, é considerado um homem de consenso.

Os dois lados tinham concordado com sua designação há vários meses, mas as brigas relacionadas à formação de um governo de união, exigido pela oposição, impediam a eleição do general.

O voto deste domingo constitui a primeira etapa da normalização das instituições de um país minado pela crise, pela violência e pela série de atentados cometidos desde 2004 contra deputados anti-sírios.

O novo presidente já avisou que não poderá garantir sozinho a segurança do Líbano. "A segurança não pode ser instaurada pela força, mas mediante uma vontade política. Um único partido não pode construir o país", declarou Sleimane antes de sua eleição.

O acordo de Doha suscitou uma onda de otimismo no Líbano. No entanto, ele não resolve questões cruciais, como a do armamento do Hezbollah.

Além disso, a onda de violência do início de maio, marcada por confrontos mortíferos entre muçulmanos sunitas, simpatizantes do governo e militantes xiitas da oposição, augura uma reconciliação difícil.

O acordo, obtido unicamente graças às concessões feitas pelo governo ao Hezbollah, modifica o equilíbrio das forças políticas no país.

Pelas armas, a oposição formada por xiitas e parte dos cristãos conseguiu impor sua principal reivindicação: uma minoria de bloqueio no futuro governo.

Ela terá 11 pastas, de um total de 30, e poderá utilizar seu direito de veto para impor sua vontade em decisões cruciais, como as relacionadas à segurança do Estado.

Esta reivindicação foi o principal motivo da crise de novembro de 2006, quando os cinco ministros xiitas renunciaram pedindo maiores prerrogativas para a oposição.

O Hezbollah, a única milícia libanesa ainda armada, é o grande vencedor deste acordo, já que a questão de seu desarmamento sequer foi mencionada.

Assim que o Parlamento formalizar a eleição do presidente, começarão as consultas para formar o governo que deverá levar o Líbano às eleições gerais do início de 2009.

sg/yw

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