General russo irritado e funcionário georgiano nervoso se encontram em Gori

Um general russo irritado e um alto responsável georgiano nervoso se encontraram, nesta quinta-feira, na cidade georgiana de Gori, epicentro de tensões, apesar do cessar-fogo aprovado na terça entre Rússia e Geórgia.

AFP |

O comandante russo da zona, general Viatcheslav Borisov, junto com o secretário do Conselho de Segurança georgiano, Alexandre Lomaya, arremeteu contra os jornalistas em uma entrevista coletiva improvisada na periferia de Gori, cidade estratégica entre o leste e o oeste da Geórgia, no caminho para a região separatista da Ossétia do Sul.

"Todos os correspondentes dizem que a cidade já não existe, que está destruída", declarou o general Borisov, vermelho de raiva.

"Diga-me! Você está me entendendo? A cidade estava destruída? A cidade continua lá", continuou, segundo as imagens gravadas pelos jornalistas da AFP.

Enquanto a situação continua sendo tensa no setor e os georgianos esperam a retirada das tropas russas de Gori, Lomaya pediu aos jornalistas que não provocassem o general.

"Tentamos acertar a retirada de tropas russas e uma mobilização gradual da polícia georgiana. O cessar-fogo é frágil. Temos de acalmá-los", afirmou Lomaya, principal porta-voz do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, nesta crise, vestido com colete à prova de balas bege, sobre camisa branca e gravata.

"Ele vai tirá-los daqui se considerar que a situação não é estável. Não provoquem-no!", acrescentou.

Um comboio de policiais georgianos entrou nesta quinta de manhã em Gori para assumir o controle da cidade, mas, ao se depararem com os militares russos, bateram em retirada. Lomaya comentou que as tropas russas devem sair na sexta, sem estar, aparentemente, muito convencido disso.

O embaixador da França na Geórgia, Eric Fournier, cujo país negocia um acordo para deter as hostilidades russo-georgianas também confirmou que a Rússia havia se comprometido a retirar suas forças armadas de Gori no mais tardar na sexta-feira.

"Sim, eles nos prometeram que sairiam amanhã (sexta), mas veremos. Temos várias razões para desconfiar deles", completou Lomaya.

"A única coisa que nos resta é confiar em sua palavra", acrescentou, antes de entrar em um carro blindado e retomar o caminho de volta, fechado para o tráfego comum.

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