General Otto Pérez vence eleições na Guatemala

De acordo com o Supremo Tribunal Eleitoral do país, Otto Pérez obteve 53,74% dos votos no segundo turno das eleições

iG São Paulo |

O general Otto Pérez venceu as eleições para a presidência da Guatemala nas eleições de domingo com 53,74% dos votos, informou nesta segunda-feira o Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) após a conclusão da contagem de votos.

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AP
Otto Perez Molina, presidente eleito na Guatemala, agradece seus partidários nesta segunda

O informe também indica que seu adversário, o empresário Manuel Baldizón, obteve 46,26% dos votos emitidos. Contabilizados os dados das 16.668 juntas receptoras de votos em todo o país, as abstenções chegavam a 39,18%, o que marca um recorde histórico de participação em eleições de segundo turno.

No segundo turno dos últimos sete processos eleitorais, a participação rondou apenas 50% dos eleitores inscritos, segundo os registros do TSE.

Pérez, do Partido Patriota (PP), e Baldizón, do Liberdade Democrática Renovada (Líder), foram os dois candidatos mais votados no primeiro turno de 11 de setembro.

Otto Pérez será o primeiro militar a ocupar a presidência da Guatemala desde 1986, quando teve início uma era de governos civis após décadas de ditaduras e golpes de Estado militares. "O general", como o presidente eleito é conhecido, substituirá a partir de 14 de janeiro o social-democrata Álvaro Colom.

O direitista, general da reserva de 61 anos, capacitado em contrarrevolução, já foi acusado de violações aos direitos humanos. Ele prometeu, durante a campanha, guerra aberta e mão de ferro contra o crime e a pobreza.

Amparado em seu treinamento militar, o combate à violência foi seu discurso mais constante, para uma população sofrida com o número de mortos registrados diariamente no país, que tem taxa anual de 48 homicídios para cada 100 mil habitantes, considerada seis vezes mais alta que a média mundial.

Econômico com as palavras e usando frases cortantes, um hábito adquirido durante 34 anos de vida militar, coincidentes com a guerra civil que deixou 200 mil mortos, Pérez divulgou mensagem simples numa campanha publicitária multimilionária, num país onde 51% dos 14 milhões de habitantes vivem na pobreza.

Nem sequer sua experiência de quatro anos como deputado, entre 2003 e 2007, foram capazes de tornar mais polida sua oratória; um homem que, segundo os que o conhecem, "prefere ouvir piadas a contá-las".

Mas os amigos mais íntimos dizem que Pérez gosta de ouvir seus assessores antes de tomar decisões. Também destacam nele uma capacidade de trabalho quase obcecante para lutar pelos objetivos que fixa.

O chamado General da Paz, por ter assinado, em nome do Exército, em 1996, os acordos que puseram fim à guerra de 36 anos, ainda possui um corpo atlético, apoiado pelo costume de jogar tênis pelo menos uma vez por semana.

Fez sempre a campanha de calças jeans, camisas esporte e, no caso de fazer frio, usa uma jaqueta leve. Assim, habituou os guatemaltecos a uma imagem informal, diferente da transmitida por um político mais circunspecto.

O militar foi acusado inúmeras vezes de violações aos direitos humanos, já que comandou unidades nas zonas mais duras do conflito armado guatemalteco, por exemplo em Quiché onde, segundo a ONU, foram registradas 45,52% das vítimas. "Os que me acusam não vão encontrar nada, porque não há nada", afirmou Pérez, ao ser ouvido por jornalistas da AFP.

"Não tenho nada a esconder, do que me envergonhar, sempre agi dentro da lei, com respeito à população. Sabia que se quiséssemos ganhar essa guerra interna, tinha que ser assim, respeitando a população ."

Depois de ter percorrido vários quartéis militares, chegou aos salões governamentais em 1993 como chefe de Estado Maior Presidencial, e em 1996 representou o Exército na assinatura dos acordos de paz.

Deixou o exército em 2000 e sofreu um atentado no dia 21 de fevereiro de 2001, quando um grupo disparou contra o veículo em que viajava com sua esposa e filha, três dias antes de fundar o Partido Patriota. Em 2003, foi eleito deputado e, em 2007, foi candidato à presidência, tendo sido derrotado no segundo turno.

Nascido na Cidade da Guatemala no dia 1 de dezembro de 1950, Otto Pérez é casado desde 1971 com Rosa Leal, com quem teve dois filhos, Lissete - administradora empresarial - e Otto, quem saiu vencedor nas eleições para a prefeitura de Mixco, um município perto da capital, pelo mesmo partido do pai.

Com AFP

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