General dos marines substitui Petraeus como chefe da Otan no Afeganistão

Transferência de comando para John Allen ocorre em meio a processo de transferência da segurança ao Exército e polícia afegãos

iG São Paulo |

AP
O novo comandante das forças dos EUA e da Otan no Afeganistão, general John Allen, fala durante cerimônia de transferência de comandando em Cabul
O general do corpo de marines (fuzileiros navais) americano John R. Allen assumiu nesta segunda-feira a chefia das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão e apostou em seguir lutando contra o extremismo para consolidar a paz no país. Allen construiu sua reputação no Iraque estabelecendo alianças com os líderes sunitas.

Allen recebeu o comando do general David Petraeus durante uma cerimônia na capital afegã, Cabul, da qual participaram altos cargos da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan e do chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Mike Mullen, segundo um comunicado.

A cerimônia de entrega do comando ocorreu poucas horas após o assassinato de um assessor-chave do presidente afegão , Hamid Karzai.

"Mantemos nosso olhar rumo ao futuro do Afeganistão, uma nação livre e em paz em um ambiente seguro e estável, livre de extremismo e terrorismo. No final, juntos prevaleceremos", afirmou Allen, general de quatro estrelas, na nota.

O novo comandante alertou também para dias difíceis no conflito do país. "Haverá dias duros à frente e não tenho ilusão sobre os desafios que enfrentaremos. Mas tenho certeza de que os bravos homens e mulheres de 49 nações irão, ombro a ombro com nossos parceiros afegãos, continuar esse grande trabalho".

Seu juramento chega em pleno processo de transferência da responsabilidade da segurança em sete regiões do país ao Exército e polícia afegãos por parte da Isaf, ao calor do início da retirada gradual das tropas internacionais. 

O general Petraeus parte do Afeganistão depois de passar um ano na liderança da coalizão para assumir a direção da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), onde substituirá Leon Panetta , que, por sua vez, foi nomeado secretário de Defesa.

Petraeus deixa o país em um momento crítico para o Afeganistão, após o lançamento no domingo do processo de "transição" mediante o qual a Otan transmitirá progressivamente a responsabilidade pela segurança do país às forças afegãs.

A coalizão já iniciou a retirada de seus soldados , um processo que concretiza a transição, que terminará no fim de 2014. No entanto, diversos especialistas duvidam da capacidade das forças afegãs de garantir sozinhas a segurança do país.

Cerca de 130 mil militares da Otan estão atualmente mobilizados no Afeganistão para apoiar o governo do presidente Karzai diante da insurreição da milícia islâmica do Taleban, derrubada pela invasão liderada pelos Estados Unidos, no fim de 2001.

Petraeus, considerado o artífice da estratégia dos Estados Unidos no Iraque, substituiu em junho de 2010 o general Stanley McChrystal, destituído após a imprensa publicar declarações suas muito críticas ao presidente Barack Obama.

Promotor de um reforço do contingente americano de 30 mil soldados, Petraeus foi desautorizado recentemente pelo presidente Obama. O líder dos EUA anunciou em junho a retirada até o verão de 2012 de 30 mil militares, ou seja, um terço do contingente americano no Afeganistão e número que corresponde à totalidade de reforços enviados desde o fim de 2009 para enfrentar a ofensiva insurgente.

AFP
David Petraeus deixa comando da Otan

O general Petraeus, que nos últimos meses pediu uma retirada muito mais limitada, reagiu à decisão presidencial dizendo que era "uma versão muito mais radical do calendário" que apresentou a Obama. Ao término de sua gestão, o balanço de Petraeus é insatisfatório.

A Otan garante ter detido o avanço do Taleban em seus bastiões do sul do país. No entanto, especialistas argumentam que os militantes estão longe de ter sido vencidos nas regiões meridionais, destacando que a insurreição ganhou força em seus bastiões do leste e segue avançando no resto do país.

A ONU anunciou na semana passada que 1.462 civis morreram nos primeiros seis meses de 2011, 15% a mais que no mesmo período do ano anterior.

O assassinato na semana passada de Ahmed Wali Karzai , meio-irmão do presidente e provavelmente o homem mais poderoso no sul do Afeganistão, também é considerado uma ameaça aos avanços das forças americanas em Kandahar, grande reduto insurgente.

*Com EFE e AFP

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