General dos EUA pede mais reforços no Afeganistão

O comandante da Otan no Afeganistão, general David McKiernan, disse na terça-feira que os Estados Unidos precisariam enviar cerca de 15 mil soldados além do reforço já planejado para os próximos meses.

Reuters |

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A declaração do militar norte-americano foi feita no mesmo dia em que o secretário de Defesa, Robert Gates, desembarcou no Afeganistão para receber um relato sobre o conflito.

Kiernan, chefe da força da Otan que combate o Taliban e a Al Qaeda, disse que, mesmo depois do envio de reforços, ainda seria necessário ter mais três brigadas, além das unidades de apoio - totalizando cerca de 15 mil soldados.

O almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, disse neste mês que não há certeza de que seu país esteja ganhando a guerra no Afeganistão.

"Estamos numa luta bem dura aqui, e acho que vamos ficar aqui por um tempo, embora eu não ache que a insurgência jamais vá vencer no Afeganistão", afirmou McKiernan a jornalistas que acompanham Gates.

Segundo ele, a violência cresceu cerca de 30% em um ano. Atualmente há quase 71 mil soldados estrangeiros no Afeganistão, sendo cerca de 33 mil dos EUA (parte sob comando da Otan, parte sob estrutura própria).

Na semana passada, o presidente George W. Bush anunciou a intenção de enviar, em novembro, mil fuzileiros navais adicionais para treinar forças locais.

Uma brigada local, com 4 mil soldados, deve chegar em janeiro. McKiernan disse, porém, que essa unidade prestará assistência emergencial às forças dos EUA no leste afegão.

Nessa região tribal da fronteira com o Paquistão, reduto do Taliban, a luta é mais difícil do que se previa, segundo o general. Nas últimas semanas, os EUA ampliaram as incursões aéreas contra militantes no lado paquistanês da fronteira.

Gates chegou ao Afeganistão vindo do Iraque, onde o envio temporário de reforços foi um fator importante para controlar a violência. McKiernan disse, porém, que no caso afegão esse reforço temporário não basta. "Acho que o que precisamos aqui é de capacidades ampliadas, de forma sustentada, não de forma temporária", disse.

McKiernan disse ter emitido neste mês uma ordem lembrando aos soldados da Otan sobre as regras para o uso da força letal, na tentativa de reduzir as vítimas civis. Mas ele afirmou que é difícil evitá-las completamente.

Gates vai se reunir com o presidente Hamid Karzai, que critica a morte de civis em operações militares. O secretário de Defesa receberá relatos dos militares sobre o uso de bombardeios aéreos, para que sejam avaliadas medidas que evitem mortes de civis, segundo Geoff Morrell, assessor de imprensa do Pentágono.

Quase 1.500 civis afegãos foram mortos nos primeiros oito meses do ano, muitos deles em ataques a escolas, clínicas, mercados e outros pontos movimentados, disse a ONU na terça-feira.

Esse número - aumento de 39% sobre o mesmo período em 2007 - inclui 800 mortes atribuídas a militantes e 577 causadas por forças afegãs e seus aliados internacionais. A responsabilidade por outras 68 mortes não foi esclarecida.

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