General dos EUA diz que pretende suspender retirada do Iraque

WASHINGTON - O comandante das forças norte-americanas no Iraque, general David Petraeus, disse ao Congresso na terça-feira que pretende paralisar a retirada de soldados em julho devido à fragilidade dos avanços na área de segurança, em declarações que poderiam repercutir na campanha presidencial dos Estados Unidos.

Reuters |

Um recente aumento nos níveis de violência --incluindo a morte de 11 militares norte-americanos nas últimas 48 horas-- atirou o Iraque de volta aos assuntos mais preocupantes para os eleitores norte-americanos, que comparecem às urnas em novembro.

Petraeus afirmou à Comissão dos Serviços Armados do Senado que, não obstante a melhora verificada em partes do Iraque, 'a situação em certas áreas continua insatisfatória e inumeráveis desafios continuam a impor-se'.

Segundo o general, os avanços realizados há pouco tempo são 'frágeis e reversíveis' e que uma operação lançada pelos iraquianos contra milícias xiitas da cidade de Basra (sul) havia sido uma decepção, já que careceu de planejamento e de preparação.

Petraeus disse que havia recomendado uma suspensão de 45 dias, em julho, para a retirada de soldados a fim de avaliar os fatos mais recentes e então dar início a um período subsequente de análise para determinar se a situação permitiria retirar mais militares do Iraque.

Os EUA mantêm atualmente 160 mil homens no território iraquiano. Segundo planos anunciados no ano passado, o Pentágono retiraria dali cinco brigadas de combate --ou cerca de 20 mil soldados-- até a metade de julho, fazendo com que o contingente militar voltasse ao patamar verificado antes do aumento concluído no ano passado.

O resultado é que dezenas de milhares de soldados norte-americanos podem ainda estar no Iraque quando o presidente do EUA, George W. Bush, deixar seu cargo, em janeiro de 2009, legando ao próximo dirigente do país o encargo de resolver o problema.

A sugestão de Petraeus sobre paralisar a retirada dos soldados viu-se criticada pelo presidente da comissão, o senador democrata Carl Levin. Ele a descreveu como uma 'pausa de período indeterminado' que representaria 'a próxima página de um plano de guerra sem uma estratégia de conclusão'.

Levin exigiu saber quantos soldados norte-americanos estariam no Iraque no final de 2008.

'Senhor senador, não consigo fornecer-lhe uma estimativa', afirmou o general, com o embaixador dos EUA no Iraque, Ryan Crocker, a seu lado.

(Reportagem adicional de David Morgan, Andrew Gray e Andy Sullivan)

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