sob controle - Mundo - iG" /

General brasileiro afirma que segurança no Haiti está sob controle

Joaquim Utset. Nações Unidas, 4 ago (EFE).- O responsável militar da Missão de Estabilização da ONU para o Haiti (Minustah), o general brasileiro Floriano Peixoto Vieira Neto, assegurou hoje que a segurança no país está absolutamente sob controle, mas ainda não se vislumbra quando os militares poderão retornar a seus países.

EFE |

Em entrevista à Agência Efe, o militar ressaltou que a relativa tranquilidade que reina no Haiti é "frágil" e pode "mudar muito rápido" devido à pobreza na qual vive a imensa maioria dos habitantes do país mais pobre do continente americano.

"Sempre há certa agitação, é uma panela de água fervendo que pode transbordar, por isso deve-se manter um alto nível de vigilância e de patrulhas, que assegurem que a situação segue estável", disse Peixoto.

O militar está na sede das Nações Unidas para participar de uma reunião com responsáveis militares de missões de paz do organismo mundial.

Peixoto, de 55 anos, substituiu em março Carlos Alberto dos Santos Cruz no comando da força militar que, há cinco anos, é encarregada de manter a segurança no Haiti.

O general, que fez parte do primeiro contingente brasileiro a chegar ao Haiti, em 2004, reconheceu estar surpreso com o quase desaparecimento da violência das ruas haitianas, desde então.

"Comparado com 2004, é uma mudança radical. Hoje no Haiti se pode andar tranquilamente. Há crimes, mas como em toda grande cidade.

Qualquer um que chegar agora se dá conta de que é um país pobre, mas não que haja uma crise de segurança", ressaltou.

Em particular ele destacou o ambiente pacífico que cercou a realização das últimas eleições legislativas, que alguns definiram como o pleito mais tranquilo dos últimos 20 anos no Haiti.

"Não se deve melhorar as condições de segurança, o que tem que melhorar são as condições socioeconômicas. Mas é difícil pelo estado de miséria em que se encontra o país", insistiu.

Peixoto apontou como um exemplo da fragilidade da segurança os incidentes violentos em Porto Príncipe em 16 de junho que cercaram os funerais de um popular sacerdote partidário do ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, nos quais uma pessoa morreu baleada.

"É um exemplo de que em uma situação tranquila e pacífica se produz um desencontro entre os haitianos, e acaba com uma morte", observou o general.

Algumas vozes responsabilizavam militares brasileiros pela morte, mas Peixoto ressaltou que três investigações isoladas dos incidentes demonstraram que os soldados não deram o disparo fatal.

Incidentes como estes e a fraqueza das forças de segurança haitianas fazem crer que haverá necessidade de um prolongamento da presença militar e policial da comunidade internacional no país, advertiu.

"Se nós não estivéssemos ali quem faria nosso trabalho? Não existem as condições, nem os indicadores, que apontem para que os soldados das Nações Unidas possam ser substituídos pelos corpos locais", disse o general.

Ele se declarou "convencido absolutamente, como chefe da missão, de que não há as condições para concluí-la".

A Minustah foi criada em 2004 pelo Conselho de Segurança da ONU para restaurar a ordem depois da violenta derrubada e saída de Aristide do país.

A missão tem um contingente militar de 7.060 membros e outro policial de 2.091.

Além do Brasil, participam da missão países latino-americanos como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Paraguai, Peru e Uruguai, assim como Espanha, França, Itália, Canadá e Estados Unidos, entre outros de todos os continentes. EFE jju/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG