Geleiras árticas derretem com ainda mais intensidade em agosto

As geleiras árticas continuam a se reduzir sob o efeito do aquecimento global, registrando em agosto o segundo maior derretimento do verão (hemisfério norte) desde o início das medições por satélite há 30 anos, indicaram nesta quarta-feira cientistas americanos.

AFP |

As medições efetuadas no dia 26 de agosto mostram que a extensão total das geleiras era de apenas 5,26 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, menos que os 5,32 milhões de km2 registrados no dia 21 de setembro de 2005, segundo recorde de derretimento no verão do Ártico, de acordo com um comunicado do Centro Nacional Americano de Neve e Gelo (National Snow and Ice Data Center/NSIDC) em Boulder (Colorado, oeste).

As geleiras do Oceano Ártico diminuíram 2,06 milhões de km2 desde o início de agosto.

A magnitude desse derretimento mostra que a superfície das geleiras do Ártico poderá se reduzir mais do que no verão de 2007, que com 4,25 milhões de km2 já havia registrado um recorde depois do início das medições por satélite.

Restando várias semanas para que o Oceano Ártico recomece a congelar com a queda das temperaturas no outono, o derretimento poderá ser superior este ano em relação ao verão de 2007, estima o centro.

O recuo das geleiras árticas no verão de 2007 representava uma redução de cerca de 40% em relação à superfície média de 7,23 milhões de km2 do conjunto de geleiras que se mantinham no verão entre 1979 e 2000, indica o NSIDC.

A estação de derretimento no Ártico começa em meados de junho. A geleira atinge seu mínimo em meados de setembro e seu máximo no inverno, em meados de março.

"O fato é que a aceleração do derretimento no verão registrado durante esta década se mantém", revela o Centro.

O Pólo Norte poderá até ficar momentaneamente sem geleiras em setembro, um fato sem precedente na era moderna e que marcaria uma nova etapa no derretimento das geleiras árticas nos últimos dez anos sob o efeito do aquecimento global, havia estimado no final de junho um especialista norte-americano.

"É muito possível que não haja mais geleiras no Pólo Norte no final deste verão", o que se explica pela pequena espessura do gelo, explicou à AFP Mark Serreze, um cientista do NSIDC.

Considerando que há 50% de chances de que isso ocorra, o cientista afirmou que é "concebível que em meados de setembro veleiros possam navegar do Alasca ao Pólo Norte".

O derretimento das geleiras no Pólo Norte "já ocorreu na história da Terra, mas certamente não nos tempos modernos", acrescentou.

"O que notamos nesses dez últimos anos é uma vasta redução das geleiras árticas, principalmente nesses três últimos anos, e essa tendência de longo prazo fará com que possa não existir mais geleiras no verão no Oceano Ártico até 2030 ou por volta dessa data", segundo esse especialista.

Há alguns anos, esse cenário era previsto para entre 2050 e 2100, lembrou.

A redução das geleiras árticas em 2008 é acarretada principalmente pelo derretimento das geleiras no Mar de Tchuktches, no Alasca, e ao longo da Sibéria, indica o NSIDC.

O Mar de Tchuktches é o hábitat natural de vários ursos polares cuja sobrevivência está ameaçada pelo derretimento excessivo das geleiras onde eles caçam principalmente focas.

Mas o desaparecimento das geleiras no verão também tem um lado bom, pois permite a abertura da passagem Norte-Oeste, que liga o Atlântico ao Pacífico passando por entre as ilhas árticas do grande Norte canadense.

Essa rota marítima evita que os navios façam longos desvios pelo Canal do Panamá ou pelo Cabo Horn.

Além disso, as profundezas do Oceano Ártico são ricas em petróleo e, sem gelo, essas jazidas que despertam a cobiça de russos e canadenses principalmente, estarão mais acessíveis, ressaltam os especialistas.

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