Géis anti-Aids mostram-se promissores em estudos

Por Maggie Fox WASHINGTON (Reuters) - Géis para proteger mulheres da infecção do vírus da Aids deram indicações de que podem funcionar, anunciaram pesquisadores na segunda-feira.

Reuters |

Um estudo com 3 mil mulheres mostrou que um gel desenvolvido pela Indevus Pharmaceuticals, com sede em Massachusetts, reduziu as taxas de transmissão em um terço. Outros dois estudos com macacos sugeriram que a droga Truvada, da Gilead Sciences Inc.'s, pode prevenir a infecção quando tomada em pílula ou usada em forma de gel.

Os estudos apresentados num encontro sobre a Aids no Canadá mostram formas possíveis de se conter a pandemia do vírus da imunodeficiência humana, que infecta 33 milhões de pessoas no mundo e já matou 25 milhões.

O médico Salim Abdool Karim, do Centro do Programa de Pesquisa em Aids da África do Sul, e seus colegas testaram o gel PRO 2000, da Indevus, em mulheres não portadoras do HIV, mas cujos maridos estavam infectados.

Embora elas estivessem apenas testando a segurança do produto, o PRO 2000 de fato reduziu a taxa de infecção pelo HIV em um terço, disseram eles no encontro.

"Este é o primeiro estudo mostrando que temos um candidato promissor", disse Karim numa entrevista coletiva.

"Não o consideramos como uma conclusão definitiva de que o PRO 2000 seja microbicida, mas certamente o observamos como muito promissor."

O vírus da imunodeficiência humana é especialmente comum em homens que praticam sexo com outros homens, mas na África, o continente mais atingido pela Aids, as mulheres têm grande probabilidade de serem infectadas, em geral pelos maridos.

"Como conversar com uma mulher da comunidade rural que é casada e tenta ter filhos sobre como se proteger do HIV?", perguntou Karim. "Não podemos incentivar a abstinência. Não podemos incentivar a fidelidade, porque ela é muito fiel", acrescentou ele.

"Não podemos incentivar o uso de preservativos, porque ela está tentando engravidar."

Os pesquisadores testaram outro microbicida chamado BufferGel, feito pela ReProtect Inc, mas foram incapazes de descobrir qualquer indicação significativa de ajuda. O estudo foi delineado apenas para mostrar que os géis eram seguros, questão importante porque outros estudos mostraram que supostos microbicidas na verdade aumentaram o risco de infecção.

Os pesquisadores continuam investigando se o PRO 2000 ou o Buffer Gel realmente protegem as mulheres.

"Embora sejam necessários mais dados para determinar se o PRO 2000 protege as mulheres da infecção por HIV, os resultados desse estudo são animadores", disse o médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional para Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, que ajudou a financiar o estudo, em um comunicado.

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