Gbagbo decreta toque de recolher na capital da Costa do Marfim

Medida vale para bairros populares de Abidjan e em fortificações do rival Alassane Ouattara; 11 morreram em dois dias de conflitos

iG São Paulo |

Laurent Gbagbo decretou toque de recolher em vários bairros populares da capital Abidjan e nas fortificações do seu rival Alassane Ouattara, após dois dias de conflitos violentos que causaram 11 mortes na Costa do Marfim. 

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas marfinenses, general Philippe Mangou, leal a Gbaggo, informou na manhã desta quinta-feira que o toque de recolher estará vigente das 19h às 6h (locais) do próximo sábado nos bairros de Abobo e Anyama.

Nesta quinta-feira, partidários de Gbagbo queimaram ao menos três veículos das Nações Unidas e vandalizaram uma ambulância, segundo oficiais da ONU.

AP
Veículo queimado por partidários de Gbagbo, segundo funcionários da ONU
Desde quarta-feira, os dois bairros estão cercados por tropas das Forças Armadas e de segurança, com tanques blindados e diversos soldados, embora não tenham registrado outros episódios violentos.

Segundo o general Mangou, o dispositivo militar "se manterá na região o tempo necessário até que consiga retirar os rebeldes do lugar", e acusou os seguidores de Ouattara de organizar ataques contra as Forças de segurança, que apoiam Gbagbo. 

Por sua parte, ex-rebeldes das Forças Novas, que não se desarmaram após a guerra civil entre 2002 e 2007, que controlam o norte do país e defendem a sede provisória do governo de Ouattara, no Hotel Golfe de Abidjan, negaram as acusações. 

Na quarta-feira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, advertiu que as Forças leais a Gbagbo deverão responder pelos ataques dos dois últimos dias contra o bairro de Abobo. Em comunicado lido pelo porta-voz da ONU, Martin Nesirky, a ONU também expressou  preocupação pelas informações procedentes de Abidjan que as Forças de Gbagbo planejam outra ação contra seguidores de Ouattara. Além disso, acusou homens de Gbagbo de forçar o despejo da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI), enviada a Abobo para tratar de conter a violência. 

Após o segundo turno das eleições presidenciais em Costa do Marfim, a Comissão Eleitoral Independente (CEI) deu a vitória com uma ampla vantagem a Ouattara, resultado que foi certificado pela ONUCI e reconhecido pela comunidade internacional. 

Gbagbo não admitiu esse resultado e recorreu ao Conselho Constitucional, controlado por seus seguidores, que anulou a votações em sete departamentos amplamente favoráveis a Ouattara e lhe outorgou a vitória, o que rejeitou a comunidade internacional, que exige que o político deixe o poder.

Reuters
Soldado marfinense em checkpoint em Abobo, na capital Abidjan

*Com EFE e AP

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