Gbagbo ameaça romper laços com países que apoiarem rival

Atual presidente da Costa do Marfim quer que países não reconheçam embaixadores nomeados pelo opositor Alassane Ouattara

iG São Paulo |

O governo do atual líder da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, disse na terça-feira que romperá os laços diplomáticos com os países que reconhecerem os embaixadores nomeados pelo seu rival Alassane Ouattara, que reivindica a presidência.

AFP
Gbagbo (D) em reunião com os presidentes de Cabo Verde, Pedro Pires (2º à esq.); de Serra Leoa, Ernest Koroma (3º à esq.); e de Benin, Boni Yayi (1º à esq.)
"O governo gostaria de anunciar que diante de tais decisões, terá o direito de agir de forma recíproca para encerrar as missões de seus embaixadores na Costa do Marfim", disse um porta-voz do governo em comunicado na televisão nacional.

Em meio à crise política que se instaurou no país após as eleições, três chefes de Estado do Oeste africano se encontram com Gbagbo, para tentar convencê-lo a deixar o poder.

Os presidentes de Benin, Boni Yayi, de Serra Leoa, Ernest Koroma, e de Cabo Verde, Pedro Pires, deixaram o prédio da presidência da Costa do Marfim depois de 2h30 de negociações."Foi tudo bem", declarou Yayi. Gbagbo, sorridente e aparentemente descontraído, acompanhou seus hóspedes à saída do palácio.Os emissários da Comunidade econômica de Estados do Oeste da África chegaram pouco antes das 14h locais, em carros separados ao palácio de Plateau, bairro administrativo de Abidjan.

Conflito

Em meio a conflitos com opositores de Gbagbo, um soldado das tropas de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) na Costa do Marfim ficou ferido num ataque contra um comboio no bairro de Yopougon, na capital Abidjan.

"Uma multidão cercou o comboio, ferindo um soldado com um facão e queimando um dos três veículos", informou a missão da ONU naquele país (Unoci). O comboio transportava 22 soldados do interior do país e passava por Yopougon.

Gbagbo acusou a ONU de se intrometer na política interna depois que a entidade mundial pediu que ele entregasse o poder ao seu rival.

AFP
Tropas da missão de paz da ONU patrulham ruas de Abidjan, capital da Costa do Marfim
A ONU também desafiou o aviso do governo de Gbagbo para que saísse do país depois das polêmicas eleições. Em vez disso, a ONU adicionou seis meses à missão de seus 10 mil soldados no país.

A violência pós-eleitoral fez pelo menos 173 mortos de 16 a 21 de dezembro, segundo a ONU. O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou na quinta-feira passada resolução denunciando as "atrocidades" cometidas após a eleição presidencial.

De acordo com estatísticas das Nações Unidas, ao menos 19.120 marfinenses fugiram para a vizinha Libéria, para escapar da violência no país.

*Com AFP e Reuters

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