Saud Abu Ramadan Gaza, 16 abr (EFE).- Pelo menos 18 palestinos, entre eles crianças, mulheres e um cinegrafista da agência de notícias Reuters, e três soldados israelenses morreram hoje em Gaza no dia mais sangrento na Faixa desde a operação Inverno Quente, no início do mês passado.

Nove das vítimas fatais palestinas foram alvo de uma série de projéteis de artilharia no campo de refugiados de Al-Bureij, disseram testemunhas, embora o Exército israelense afirme que a ação tenha sido resultado de um ataque aéreo com foguetes e cujo provável objetivo fosse um grupo de milicianos armados da Jihad Islâmica.

O bombardeio, que atingiu o bairro de Johr el-Deik, no leste do campo de Al-Bureij, deixou ainda mais de 20 feridos, alguns deles em estado grave, confirmou Muawiya Hassanein, chefe dos serviços de emergência e ambulâncias na Faixa de Gaza.

Hassanein acrescentou à imprensa que entre os mortos estão mulheres e crianças, e declarou que entre os feridos há pelo menos cinco em estado crítico.

Segundo o médico palestino, a artilharia israelense bombardeou o bairro de Johr el-Deik, o que, somado a alguns testemunhos, parece indicar que um dos projéteis atingiu o veículo em que estava o cinegrafista da "Reuters", Fadel Ode, de 21 anos e natural de Gaza.

Ode estava trabalhando com dois assistentes na região, e segundo testemunhas um projétil de artilharia atingiu seu carro, um 4x4 de cor branca blindado e claramente identificado como veículo de imprensa.

Consultadas pela Agência Efe, fontes do escritório da "Reuters" em Jerusalém disseram "não poder confirmar a informação", enquanto o Exército israelense afirmou estar "investigando" o fato.

Às 12 mortes em Al-Bureij soma-se ainda hoje a de um miliciano da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) em um ataque aéreo israelense no norte de Gaza.

Mas a onda de violência já tinha começado muito antes, durante uma incursão do Exército israelense no leste do bairro Shejaeya, em Gaza, antes do amanhecer.

A presença de tropas israelenses em um dos redutos do movimento islâmico Hamas, com a intenção de prender um de seus dirigentes, o irmão do deputado islamita Khalil el-Hayya, desencadeou fortes enfrentamentos.

O número de mortos nos confrontos nessa região inclui quatro militantes do Hamas, um da Jihad Islâmica, e três soldados israelenses.

Segundo testemunhas, dezenas de milicianos enfrentaram os soldados israelenses com mísseis antitanque e projéteis.

"Ninguém pode alcançar seus objetivos matando os outros. Israel deve cessar os ataques em Gaza porque o diálogo é o principal e único caminho para se conquistar a paz e a segurança", declarou à Efe Mutawakel Taha, vice-ministro da Informação da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Taha fez um apelo ao Conselho de Segurança (CS) da ONU para que pressione Israel a acabar com os "massacres" em Gaza.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, admitiu hoje, em um ato do Partido Trabalhista, do qual é líder, que o Estado judeu "é consciente do sofrimento dos habitantes de Gaza", e de que "a situação é difícil no local".

Ao mesmo tempo, Barak responsabilizou o Hamas pelo agravamento da situação, porque "os fatos lembram que uma parte de nossos inimigos não aceitam ainda que nossa presença aqui é para sempre". EFE Sa'ar-elb/fr

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