Gaza: uma guerra popular em Israel

No sétimo dia da guerra conduzida por Israel contra o Hamas em Gaza, os líderes israelenses estão sendo beneficiados com um apoio em massa da população.

AFP |

A guerra é popular, segundo as pesquisas, e globalmente apoiada pela imprensa israelense - um respaldo que se explica por vários elementos: a relação de força é claramente favorável a Israel, além de visar um inimigo jurado, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza após um golpe (e este movimento tem como objetivo destruir o Estado judeu).

E esta aprovação é dada apesar das imagens de crianças mortas em Gaza e do temor de que uma ofensiva terrestre custe a vida de numerosos soldados judeus.

No total, a operação "chumbo grosso" é apoiada por 95% da população israelense, 80% sem nenhuma reserva, diz uma pesquisa publicada pelo jornal Maariv, a semanas das eleições antecipadas de Israel previstas para 10 de fevereiro; 44% das pessoas ouvidas têm, agora, "opinião mais positiva" em relação ao Ministro da Defesa e líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak.

Quarta-feira, 71% das pessoas ouvidas se declararam a favor do prosseguimento da ofensiva aérea, segundo o jornal Haaretz levando em conta a opinião da minoria árabe (20% da população) hostil à operação.

Nesse contexto, o Partido Trabalhista (centro-esquerda), que estava em queda livre nas pesquisas antes da ofensiva, conseguiria atualmente eleger 16 dos 120 deputados da futura Knesset (parlamento israelense) contra os 12 atribuídos pelas sondagens anteriores. Na atual legislatura, conta com 19 representantes.

O Likud, principal formação da oposição de direita em Israel dirigida pelo ex-chefe de governo Benjamin Netanyahu, está igualado com o partido Kadima (centrista) da ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, com 28 vagas, segundo as intenções de voto para as legislativas de 10 de fevereiro.

O bombardeio da casa de um líder do Hamas, Nizar Rayan, assassinado na quinta-feira junto com suas quatro esposas e onze dos doze filhos, foi saudado pelo jornal de grande tiragem Yediot Aharonot como um "grande feito".

O jornal Maariv revela por sua vez que esta operação, que não poderia senão fazer vítimas inocentes, havia recebido o aval prévio do procurador-geral do Estado, Menahem Mazuz, para proteger os responsáveis de eventuais processos por "crimes de guerra".

O jornal Haaretz (liberal) concede, também ele, um "satisfecit" às forças armadas pela condução da ofensiva, contrastando com as medíocres performances durante a guerra do Líbano no verão de 2006.

As únicas críticas provêem da esquerda minoritária, de uma extrema esquerda marginalizada e por partidos representantes da minora árabe.

O partido Meretz que havia conclamado uma ofensiva em Gaza para fazer parar os lançamentos de foguetes pede, agora, que a operação cesse, o mesmo acontecendo com o movimento antianexionista "A Paz Agora" e vários escritores de renome.

Opositores protestam nesta sexta-feira diante do ministério da Defesa em Tel Aviv e preparam manifestação para a noite de sábado, acusando os dirigentes judeus de "crimes de guerra".

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