Gaza tem 3 horas de pausa para ir às compras e enterrar mortos

Por Nidal Al Mughrabi GAZA (Reuters) - Após 12 dias de incessantes bombardeios israelenses, Gaza teve uma pausa na quarta-feira. Durante 180 preciosos minutos, os aviões e tanques israelenses suspenderam fogo, permitindo aos 1,5 milhão de habitantes que conferissem o bem-estar de seus parentes, comprassem mantimentos essenciais e sepultassem seus mortos.

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Ahmed Abu Kamel, pai de seis filhos, vive na parte leste da Cidade de Gaza e saiu com uma lista de compras enxuta: leite e comida. "Que mais dá para fazer em três horas?", perguntou. Perto dali, o professor Abu Youssef dizia se sentir como "um prisioneiro indultado".

No campo de refugiados de Jabalya, milhares de pessoas foram aos enterros de vítimas da guerra. Na terça-feira, mais de 40 palestinos que estavam refugiados em uma escola da ONU no campo foram mortos por tanques israelenses.

Alguns dos mortos de Jabalya foram sepultados na mesma cova porque o cemitério está lotado, e seria perigoso demais buscar outras áreas. Indignadas, as pessoas gritavam por vingança.

Israel suspendeu as operações militares "ofensivas" pontualmente às 13h (9h em Brasília), abrindo um corredor humanitário para que entidades trouxessem e distribuíssem alimentos e remédios.

John Ging, da UNRWA (agência da ONU que presta assistência aos palestinos), disse que a trégua de três horas não foi nem de perto suficiente, já que as condições na Faixa de Gaza, segundo ele, equivalem a um "inferno na Terra".

Muitas lojas de Gaza abriram, e centenas de consumidores se queixaram da falta de produtos.

Apanhado fora de casa quando Israel iniciou a ofensiva terrestre, no sábado, Abu Ali Hassan conseguiu ver sua esposa e as três filhas pela primeira vez desde então. Nesse período, temeu pela vida delas, pois não conseguiu contato pelo telefone e qualquer deslocamento estava perigoso demais.

"Graças a Deus eu as achei, e elas estavam vivas, mas mortas de medo", disse Hassan.

Nos centros de distribuição de alimentos da ONU, a situação era tensa.

Algumas pessoas desesperadas tentavam furar a fila, temendo que o tempo se esgotasse e elas saíssem de mãos vazias quando os combates recomeçassem.

Uma mulher na fila pedia que Deus castigasse Israel pelo que está fazendo à população de Gaza, mas só depois de punir os líderes árabes que, segundo ela, esquivaram-se e permitiram que a ofensiva acontecesse. "Querem nos transformar em mendigos", disse ela.

As ruas de Gaza se esvaziaram e, poucos minutos depois das 16h, as bombas começaram a cair de novo.

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