Gaza respira por três horas, após 12 dias

Saud Abu Ramadan. Gaza, 7 jan (EFE).- Israel interrompeu hoje pela primeira vez e durante três horas os bombardeios para a entrada de assistência em Gaza, onde 12 dias de ofensiva já mataram mais de 700 pessoas e, à tarde, voltaram ao combate.

EFE |

Milhares de pessoas saíram às ruas na capital Gaza e correram para lojas, supermercados e quitandas para fazer provisões de alimentos, após mais de uma semana trancadas em casas que, na sua maioria, não dispõem de eletricidade nem de água potável.

Foi possível ver bastantes carros circulando, algo que não se observava há dias na Cidade de Gaza.

As equipes médicas aproveitaram a breve trégua para sair dos hospitais e correr para assistir a feridos que não haviam podido atender pelos incessantes bombardeios.

Cadáveres também foram retirados do meio dos escombros de edifícios destruídos pelos bombardeios da aviação e dos blindados israelenses.

Testemunhas no norte e no sul de Gaza afirmaram que as forças israelenses abriram fogo antes de se finalizarem as três horas de cessar-fogo anunciadas nesta manhã unilateralmente pelo escritório do primeiro-ministro, Ehud Olmert.

O escritório de informação do Exército israelense não confirmou se suas forças tinham disparado entre as 13h e as 16h locais (de 9h às 12h de Brasília), o período fixado de trégua.

Um porta-voz militar israelense assinalou que, nesse prazo, as milícias palestinas lançaram um foguete contra a localidade de Ashkelon, apesar de terem respondido a um anúncio de Olmert assegurando que também interromperiam seus ataques.

Pouco após se finalizar o período de trégua, a aviação israelense bombardeou vários alvos na cidade de Beit Lahiya, no norte de Gaza, e no campo de refugiados de Al-Bureij, no centro da faixa, segundo informaram as cadeias de rádio locais.

Testemunhas na cidade de Rafah, no sul, também confirmaram que aviões israelenses bombardearam intensamente túneis e casas na fronteira com o Egito.

O número de palestinos mortos na ofensiva israelense "Chumbo Fundido" na faixa Gaza supera os 700 após a contagem das vítimas de hoje e os cadáveres descobertos sob os escombros nas últimas horas, enquanto o número de feridos chega a mais de 3 mil.

Pelo menos dez palestinos morreram hoje em diferentes ataques aéreos, enquanto outros seis faleceram em hospitais por ferimentos sofridos nos últimos dias, segundo informou Moawie Hasanein, chefe dos serviços de emergência em Gaza.

No campo de refugiados de Jabalya, três crianças -de dois, quatro e seis anos- morreram junto ao pai delas, quando uma casa foi atingida de imóvel pelo projétil de um tanque israelense.

Eles se somam aos oito cadáveres que as equipes de resgate em Gaza desenterraram hoje de entre os escombros de edifícios bombardeados ao norte de Bet Lahiya, no norte da faixa.

Também houve ataques da aviação nos bairros de Zeitun e Tufa, perto de Gaza capital, que os tanques e soldados israelenses mantêm parcialmente cercada há dois dias.

Em Ramala, Rafik Al Hussein, chefe do Escritório presidencial de Mahmoud Abbas, disse que "o cessar-fogo por três horas não é suficiente para permitir a entrada de ajuda humanitária", e disse que "50% dos mortos são mulheres e crianças".

Enquanto isso, em Israel, o Gabinete Ministerial para Assuntos de Segurança Nacional aprovou esta tarde a continuação da operação militar na Faixa de Gaza.

Também avançaram os esforços diplomáticos para conseguir um cessar-fogo e Israel se mostrou a favor de considerar as distintas opções para uma trégua, destacando a proposta franco-egípcia que implicaria um embargo de armas ao Hamas que conte com o apoio internacional. EFE sar-aca/jp

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