Gaza precisa de comida, remédio e sacos para corpos, dizem agências

JERUSALÉM - A população de Gaza necessita urgentemente de alimentos e insumos hospitalares, disseram agências humanitárias, acrescentando que as ações militares de Israel estão dificultando o trabalho de assistência aos civis. Nesta sgeunda-feira, o Exército israelense dividiu Gaza em três ao iniciar uma nova fase em sua invasão terrestre.

Redação com agências |

Reuters
Israel ataca área do sul da faixa de Gaza
A operação consiste na busca e destruição da "infra-estrutura terrorista" na Faixa de Gaza, informaram fontes militares.

O frio também agrava o drama das crianças apanhadas pelo conflito. E já há escassez de sacos para cadáveres. "A situação em Gaza desde que as Forças de Defesa de Israel lançaram sua ofensiva terrestre, no sábado à noite, se tornou caótica e extremamente perigosa", disse um boletim do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Os bombardeios danificaram hospitais, a rede de água, prédios públicos e mesquitas, segundo o CICV, cujos funcionários estão tendo dificuldades em se deslocar para ajudar os necessitados. Israel diz que está tentando conter os disparos de foguetes de militantes islâmicos contra o seu território.

Na noite de domingo, após uma semana de bombardeios aéreos e navais, tropas terrestres invadiram o território litorâneo, que tem 1,5 milhão de habitantes e é governado pelo grupo islâmico Hamas.

O CICV disse que os hospitais estão lotados e que há necessidade urgente de analgésicos e anestésicos, mas também de sacos para cadáveres e de lençóis para envolvê-los.

Por causa dos danos à rede elétrica, os hospitais dependem de geradores, que podem pifar a qualquer momento.

Após dias esperando autorização israelense em Jerusalém, uma equipe cirúrgica do CICV deveria entrar em Gaza na segunda-feira para ajudar seus colegas locais. "Estamos seriamente preocupados com os relatos que estamos recebendo a respeito das baixas civis e dos danos a objetos civis", disse Pierre Wettach, diretor do CICV para Israel e os territórios palestinos.

O trabalho no terreno também é perigoso para o pessoal médico. Três paramédicos e três voluntários já foram mortos, e aviões bombardearam a União do Atendimento Médico, na Cidade de Gaza, e destruíram quatro ambulâncias, segundo fontes médicas palestinas.

O Crescente Vermelho Palestino (ligado à Cruz Vermelha) disse que os combates impedem as ambulâncias de atenderem a muitos chamados.

Funcionários do grupo Save the Children começaram a distribuir alimentos a famílias no domingo, mas os ataques aéreos e embates em terra tornaram as ações de ajuda perigosas, disse a agência em comunicado.

"A situação alcançou um nível crítico para as crianças que estão expostas e sofrendo com a violência, medo e incerteza", disse a chefe de equipe da organização Save the Children Annie Foster.

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23 civis mortos, dizem palestinos

Fontes médicas palestinas afirmaram que pelo menos 23 palestinos, todos eles civis, morreram nesta segunda-feira  em diferentes bombardeios israelenses na Faixa de Gaza.

Treze deles morreram no bairro de Zeitoun, na Cidade de Gaza, quando sua casa foi bombardeada por um tanque durante uma incursão a partir do antigo assentamento de Netzarim, a 3 quilômetros da capital da Faixa de Gaza e onde estão as tropas israelenses, disse o responsável do serviço de emergência do território palestino, Moawiya Hassanein.

AP
Crianças aguardam atendimento em hospital de Gaza

Entre os civis estavam cinco crianças , informaram fontes médicas. Três meninos morreram em consequência do disparo de um obus a partir de um carro de combate no bairro de Zeitun, em Gaza, e os outros dois em bombardeios da Marinha israelense contra o campo de refugiados de Chati, também na cidade de Gaza, segundo o diretor das emergências palestinas, Muawiya Hasanein, que não revelou as idades das vítimas.

O balanço total da operação Chumbo Fundido, iniciada no último dia 27, é de 530 palestinos mortos e 2,5 mil feridos.

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