Gaza pagou preço alto pela campanha eleitoral israelense

GAZA - A maioria dos palestinos em Gaza - estimados em 1,5 milhão - considera que o último conflito com Israel, que durou 22 dias, faz parte de uma campanha da classe política israelense para somar votos nas eleições desta terça-feira.

EFE |

A população da Faixa acredita que os 1.400 palestinos mortos - a maioria civis - nas ofensivas militares israelenses estão sendo utilizados por dirigentes políticos do Estado judeu para ganhar a simpatia de eleitores.

Awad Barakat, dono de uma loja em Gaza, disse que não interessa aos palestinos saber quem será o vencedor ou o perdedor do pleito de amanhã, já que a disputa entre os partidos está voltada para "ver quem reprime e humilha melhor" os palestinos.

"São todos iguais: sionistas e com a mesma ideologia, que se baseia em considerar os palestinos inimigos e defender a ideia de que Israel deve seguir brigando, matando e nos excluindo de nossas terras", disse.

"Hamas segue forte"

Para o jovem Mohammed Zaqoot, de 26 anos, "todos os partidos israelenses" também "são a mesma coisa". "A guerra se inseriu 100% na campanha eleitoral de Israel", completou.

"Cheguei a ouvir que um dos dirigentes do Kadima disse que, quantos mais palestinos fossem mortos na guerra, mais chances teria seu partido de ganhar as eleições", assegurou.

"Em suas campanhas eleitorais dizem que com a guerra golpearam fortemente o Hamas, mas isso é totalmente falso. É só propaganda para o pleito", afirmou, por sua vez, Fawzi Barhoum, porta-voz do movimento de cunho islâmico, que controla a Faixa.

Segundo Barhoum, o Kadima e o Partido Trabalhista, legendas que compõem o atual governo, que optou pela ofensiva em Gaza, "perderão o pleito, porque a tentativa de destruir o Hamas fracassou", já que após a guerra a resistência e o movimento islâmico "seguem muito fortes".

"Enquanto todos os líderes fizerem declarações contra o Hamas, não poderemos chegar à paz com eles e teremos de fortalecer nossa resistência armada", acrescentou o porta-voz do movimento.

Pelo fim do bloqueio

Grande parte da população também parece não se incomodar muito com o resultado das eleições no Estado judeu. Parece unicamente buscar o fim do bloqueio e a reabertura dos postos fronteiriços, algo que nenhum partido israelense ofereceu até agora.

Sonha também com a paz e o estabelecimento de um Estado palestino em Gaza e Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como capital.

"Queremos a paz. Estamos cansados de guerras, assassinatos e destruição. De 1948 até agora, o que ouvimos e o que podemos lembrar é o fato de que nossa relação com Israel seguiu de conflito em conflito", diz Hajj Abu Ahmed, de 72 anos e morador do campo de refugiados de Jabalya.

A posição da Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada pelo presidente Mahmoud Abbas, é a de não mostrar também preferência por nenhum partido e a de não interferir no que considera um "assunto interno" israelense.

Mas o fato é que uma das primeiras decisões a serem tomadas por quem chegar ao poder em Israel envolverá a continuidade do processo de paz com os palestinos ou o quanto Israel está disposto a oferecer para que a paz finalmente seja concretizada.

O chefe dos negociadores palestinos, Saeb Erekat, quer "uma liderança israelense que venha a pôr fim aos assentamentos e ao muro de separação, e que reinicie um processo de paz baseado no cumprimento das resoluções internacionais sobre a causa palestina".

O aumento do apoio aos partidos conservadores no pleito não é interpretado como um mau pressentimento para o processo de paz.

Segundo disse o analista político Talal Oukal, da Universidade de Al-Aqsa em Gaza, "quando a direita israelense decide chegar a um acordo de paz com os palestinos, o faz, e sua decisão recebe mais apoio que a de partidos de centro ou de esquerda".

"Quando Netanyahu foi primeiro-ministro, inclusive, foi obtido o Acordo de Wye River em 1998 e, um ano antes, o Acordo de Hebron com Yasser Arafat", lembra Oukal.

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