Gaza: ofensiva se anuncia arriscada para Israel e mortífera (especialistas)

A ofensiva terrestre lançada neste sábado por Israel na Faixa de Gaza deverá encontrar uma forte resistência do Hamas que poderá recorrer a táticas de guerilha e se confirmar muito cara, em termos de vidas humanas para os protagonistas, afirmam especialistas.

AFP |

Em oito dias de bombardeios do território palestino, o exército deu um forte golpe nos dirigentes do movimento islamita assim como em suas capacidades militares. Desde 27 de dezembro, mais de 460 palestos morreram em ataques aéreos e marítimos que causaram também muita destruição.

Mas, apesar da intensidade, os ativistas palestinos prosseguiram atirando foguetes em Israel, atingindo alvos mais e mais distantes, e matando quatro israelenses.

Daí o consenso, entre o estado-maior israelense e entre numerosos "experts", sobre a necessidade de uma operatção terrestre para atingir o objetivo oficial da operação "Chumbo grosso": o fim dos lançamentos de foguetes.

Mas os mesmos chefes militares e "experts" concordam também com o fato de que uma mobilização de tropas em terra em Gaza, em zonas urbanas totalmente controladas pelo Hamas, se traduziria por um aumento nítido do número de vítimas.

"Dezenas de militares israelenses poderiam ser mortos numa operação terrestre. O número de mortos do lado palestino poderia ser três a quatro vezes mais elevado", estima Efraim Inbar, diretor do Centre Begin-Sadate da Universidade Bar Ilan.

O desafio que o exército israelense deve enfrentar em Gaza é tanto quanto o foi em 2006, na sua guerra contra o movimento xiita do Hezbollah no Líbano - e que terminou em francasso.

"Uma das lições de 2006 é que a força aérea não pode fazer o trabalho sozinha", declarou à AFP Shabtai Shavit, ex-chefe do Mossad, o serviço secreto israelense.

Israel agrupou durante a semana tanques e soldados ao longo dos 60 quilômetros de fronteira com a Faixa de Gaza e convocou milhares de reservistas.

Yuval Diskin, chefe do Shin Beth, o serviço de segurança interna, advertiu que o exército iria a Gaza mesmo diante de mísseis antitanques, campos minados, emboscadas, e posições fortificadas.

As estimativas israelenses cifram em 8.000 o número de combatentes muito treinados dos quais dispõe o Hamas - o que tornaria ainda mais difícil a missão do exército israelense.

Ir em campo, explica Inbar, significa se expor em bairros e campos de refugiados densamente povoados, onde milhares de civis arriscam-se também a ficar no meio dos combates.

"Israel não tem outra escolha senão utilizar as tropas em terra", considera Inbar. "Não é necessariamente uma invasão de grande amplidão. Talvez, apenas, unidades especiais ou incursões localizadas. Mas o exército deve pôr os pés em terra".

Ora "os combates em zonas urbanas são muito mais complexos e é preciso esperar revezes", prosseguu ele.

A última grande ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, lançada após o seqüestro do soldado israelense Gilad Shalit por um comando palestino, havia durado vários meses e resultou na morte de mais de 400 palestinos e três militares israelenses.

Desta vez, o número poderia ser muito mais elevado, advertiu o general da reserva Yaacov Amidror.

"O exército vai em campo com uma força muito maior", disse ele à AFP. "O preço será pago pela população de Gaza porque Israel está preparado para uma guerra contra uma força potente, equipada com armas sofisticadas e solidamente entrincheirada".

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