Gaza: membros do Fatah fogem para Israel após combates

Dezenas de integrantes do Fatah, grupo do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, fugiram de Gaza neste sábado para Israel, após combates com o movimento islâmico Hamas que deixaram 9 mortos e mais de 90 feridos.

AFP |

Os feridos foram hospitalizados em Israel e os demais, transferidos para a cidade de Ramallah, na Cisjordânia, sede da Autoridade Palestina, disse um oficial do Exército hebreu.

Israel autorizou a entrada de 150 palestinos que depuseram as armas, em um "gesto humanitário". Os serviços médicos israelenses atenderam nove palestinos feridos, sendo seis em estado grave, informou o oficial.

Os palestinos se apresentaram ao posto de fronteira de Nahal Oz, entre Israel e a Faixa de Gaza, revelaram várias testemunhas.

Entre os que se refugiaram em Israel estão Ahmed e Adel Helis, que dirigem um importante clã ligado ao Fatah e envolvido nos recentes confrontos.

A decisão excepcional de abrir a fronteira foi tomada pelo ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, a pedido de Abbas e do primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Israel fechou a fronteira com a Faixa de Gaza após o Hamas assumir o controle deste território, em junho de 2007.

Os confrontos deste sábado começaram quando forças do Hamas tentaram prender, no bairro Chujaiya de Gaza, vários membros do clã Helis, supostamente envolvidos no atentado com bomba que em 25 de julho matou cinco membros das Brigadas Ezzedin al-Qassam, brazo armado do Hamas, e uma menina de cinco anos.

O porta-voz do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri, acusou formalmente vários membros da família Helis pelo atentado de 25 de julho. "Já houve várias detenções, e ainda haverá várias outras. Pedimos à polícia que seja firme", avisou.

Zuhri também acusou a família Helis e outros clãs que não nomeou de "se esconder num complexo de casas em Chujaiya e disparar tiros de morteiro contra a polícia do Hamas". "Eles também dispararam um foguete contra o centro da cidade de Gaza, que milagrosamente não deixou feridos".

Contactado pela AFP, Adel Helis desmentiu as acusações do Hamas: "Não disparamos foguetes, nem tiros de morteiro. Já o Hamas comete crimes".

Ahmed Helis acrescentou que "as forças do Hamas sitiaram nossa casa e começaram a bombardeá-la com morteiro".

Mahmud Abbas expressou seu apoio a Ahmed Helis e "denunciou o ataque do Hamas", segundo um comunicado emitido pelo escritório do presidente da Autoridade Palestina.

Desde o atentado de 25 de julho, o Hamas prendeu mais de 300 pessoas, a maioria membros do Fatah, na Faixa de Gaza.

O Fatah nega qualquer envolvimento no atentado de 25 de julho, e culpa uma dissidência do Hamas pelo ataque.

az/yw/LR

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