Gaza fica às escuras após celebração de aniversário do Hamas

Saud Abu Ramadan. Gaza, 14 dez (EFE).- Grande parte da Faixa de Gaza ficou hoje às escuras pouco depois de milhares de palestinos celebrarem o 21º aniversário da criação do movimento islâmico Hamas, a apenas quatro dias do fim da trégua de seis meses que pactuou com Israel.

EFE |

O blecaute, que afeta 80% dos lares em Gaza, onde vivem 1,5 milhão de palestinos, se deve à falta de combustível na única usina elétrica dessa região, por causa do bloqueio israelense.

A Agência Efe pôde constatar que grande parte da Cidade de Gaza e dos bairros periféricos está às escuras, e segundo distintas avaliações, cerca de um milhão de habitantes poderiam estar sem eletricidade.

Gaza consome a eletricidade produzida nesta usina e a que é fornecida por uma linha israelense de alta tensão que chega do norte, mas, segundo o subdiretor da central, Kanaan Uneid, também diminuiu nas últimas horas a energia a que entra a partir de Israel.

O blecaute ocorreu porque, nos últimos três dias, Israel não permitiu a entrada de combustível, em resposta aos foguetes disparados a partir da Faixa de Gaza, uma política que aplica desde que a trégua entrou em vigor, em junho.

As passagens são reabertas novamente após 24 horas de calma, e são fechadas pelo mesmo período se alguma das milícias disparar algum foguete.

Pouco antes do blecaute, milhares de palestinos celebraram na praça "Katiba verde" - como os dirigentes do Hamas a batizaram -, o 21º aniversário da fundação do movimento, evento no qual seu chefe, Ismail Haniyeh, não revelou suas intenções sobre o futuro do cessar-fogo, que na prática será encerrado na quinta-feira.

Haniyeh ressaltou que os demais grupos lhe dão uma resposta negativa "porque o assédio continua, as agressões continuam e a calma não foi estendida à Cisjordânia".

Mais de 350 mil palestinos, segundo os organizadores, se concentraram para expressar seu apoio a um movimento que foi criado no início da primeira Intifada, em 1987, como extensão dos Irmãos Muçulmanos do Egito.

O movimento islâmico contou a princípio com certo apoio de Israel, que viu nele um contrapeso às aspirações nacionalistas da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Mas, rapidamente seus caminhos se separaram e o Hamas começou a atacar alvos israelenses, e a ganhar ainda mais força a partir da Intifada de Al-Aqsa, que teve início em 2000.

Na sociedade palestina, o movimento soube conquistar o apoio da população com programas sociais dignos de um Estado e emergir como alternativa política em 2006, após uma galopante corrupção dentro da Autoridade Nacional Palestina (ANP) desde sua criação em 1994.

Sendo assim, o Hamas ganhou as eleições daquele ano de forma arrasadora contra o movimento nacionalista Fatah, ao qual um ano depois expulsaria de Gaza em meio a uma severa crise governamental e institucional.

Desde junho de 2007, o Hamas governa em exclusivo um território que está sob o bloqueio de Israel e do Egito, e cuja população se vê constantemente castigada pelos intermináveis enfrentamentos armados entre as milícias e o Exército israelense.

Em 19 de junho, as duas partes chegaram a um acordo de seis meses com a mediação do Egito, que agora está ameaçada pelas divergências entre os líderes locais, liderados por Haniyeh, e os que estão no exílio.

O chefe do Escritório Político, Khaled Mashaal, comunicou hoje de Damasco, capital da Síria, que "não haverá renovação do cessar-fogo", uma postura que contrasta também com a da população palestina.

Uma pesquisa realizada no fim de semana por um órgão independente reflete que 74% de um total de 1.270 pessoas indagadas na Cisjordânia e em Gaza são a favor do cessar-fogo, enquanto apenas 23% se opõem.

Aiman Taha, porta-voz do Hamas em Gaza, esclareceu que ainda não há uma decisão e que antes de tomá-la, o movimento islâmico se consultará com todas as facções. EFE Sa'ar/ab

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