Gaza: a França condena, os Estados Unidos querem um cessar-fogo

A Fraça reagiu com firmeza após a ofensiva terrestre lançada por Israel em Gaza condenando esta escalada, e os Estados Unidos, através do Departamento de Estado, defenderam um cessar-fogo que não faça retornar a situação anterior.

AFP |

A França "condenou a ofensiva terrestre israelense em Gaza" estimando que "esta escalada militar perigosa complica os esforços com os quais a comunidade internacional" se comprometeu para obter um cessar-fogo, anunciou sábado o ministério das Relações Exteriores em comunicado.

"A França condena a ofensiva terrestre israelense a Gaza como condena, por sua vez, o lançamento de foguetes", diz a nota divulgada à noite.

"A escalada militar complica os esforços, em particular da União Européia e da França, dos membros do Quarteto e dos Estados da região para pôr um ponto final nos combates, levar uma ajuda imediata aos civis e chegar a um cessar-fogo permanente, como foi pedido pelos 27 ministros da União Européia no dia 30 de dezembro", acrescentou.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, iniciará segunda-feira uma turnê pelo Oriente Médio para tentar promover as propostas francesas e européia de uma trégua humanitária voltadas para um cessar-fogo permanente entre Israel e o movimento islamita Hamas que controla a Faixa de Gaza. Deverá visitar Israel, Cisjordânia, Egito, ainda com escala na Síria e no Líbano.

Seu ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, participará, a partir deste domingo, de missão de uma "troïka" européia na região, sob a direção do ministro Karel Schwartzenberg, da República Tcheca - país que ocupa desde o dia 1º de janeiro a presidência de turno da União Européia.

Já os Estados Unidos desejam um cessar-fogo "o mais rápido possível" na Faixa de Gaza, mas isso não deve permitir um retorno ao "status quo", informou neste sábado o porta-voz do Departamento de Estado, repetindo a posição expressada antes da ofensiva terrestre israelense contra o território palestino.

"Estamos trabalhando para um cessar-fogo que não permita um restabelecimento da situação anterior, com o Hamas continuando a lançar foguetes a partir de Gaza e o povo condenado a uma vida miserável", disse o porta-voz Sean McCormack, ao repetir a mesma posição dos Estados Unidos desde que começou o conflito sábado passado.

"É óbvio que o cessar-fogo deve ocorrer o mais cedo possível, mas precisamos de um cessar-fogo duradouro, sustentável, não durante um tempo limitado", disse horas depois de Israel enviar tropas ao território palestino.

A presidência tcheca da União Européia considerou que Israel não tinha o direito de partir para ações militares que "afetam amplamente os civis", numa reação à ofensiva terrestre isralense contra Gaza.

"Mas mesmo o direito inegável de um Estado de se defender não autoriza as ações que afetam em massa os civi", destacou em comunicado.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, voltou a pedir "com veemência um cessar-fogo imediato" em Gaza durante uma nova conversa, neste sábado, com o premier israelense Ehud Olmert, informou um porta-voz de Downing Street.

Segundo nota divulgada por um porta-voz da residência oficial do primeiro-ministro, Gordon Brown afirmou que "os ataques com foguete do Hamas devem cessar, ao mesmo tempo em que apelamos para a paralisação de qualquer ação militar israelense em Gaza. Há muitos mortos e temos necessidade de espaço para encaminhar ajuda humanitária aos que precisarem", prosseguiu.

A Grã-Bretanha trabalha, por outro lado, com seus parceiros internacionais para encontrar uma solução "para as causas subjacentes do conflito, principalmente o tráfico de armas para Gaza", precisou o porta-voz.

O primeiro-ministro britânico considera também necessário a abertura da fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza "de uma forma que não prejudique a segurança de Israel", acrescentou.

Pelo menos 442 palestinos foram mortos desde o início da ofensiva lançada por Israel no dia 27 de dezembro, entre eles 75 crianças e 21 mulheres, e 2.290 ficaram feridos, segundo fontes médicas palestinas.

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