Gays da Polônia protestam contra cancelamento de parada

VARSÓVIA (Reuters) - Uma entidade polonesa de direitos dos homossexuais acusou nesta sexta-feira a Prefeitura de Cracóvia de estimular a homofobia ao cancelar uma parada gay que coincidiria com uma visita à cidade do presidente conservador do país. A seção local da Rede Internacional da Cultura Gay e Lésbica pretendia realizar uma manifestação e uma parada no dia 31, comemorando o aniversário de Wladyslaw Warnenczyk, um rei polonês do século 15 que seria homossexual.

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Mas as autoridades municipais temiam que isso atrapalhasse a visita do presidente Lech Kaczynski, que nesse dia estará em Cracóvia, antiga capital do país, para celebrar os 90 anos da recuperação da independência nacional.

"Recebemos um documento oficial da prefeitura dizendo que nosso evento não foi aprovado devido à visita de Lech Kaczynski", disse Lukasz Palucki, organizador da manifestação.

"Eu achava que não era possível proibir manifestações na Polônia moderna, mas parece que é... Estamos tristes, mas calmos. Já tivemos experiências e atritos anteriores com presidentes por causa dessas questões."

Quando era prefeito de Varsóvia, Kaczynski, um católico praticante, proibiu a parada gay na cidade, o que atraiu críticas da Corte Européia de Direitos Humanos.

"Hoje o mundo nos considera como homofóbicos, enquanto a história demonstra que fomos o único país na Idade Média onde a homossexualidade não era punível com a morte", disse Palucki à edição de sexta-feira do jornal Gazeta Wyborcza.

Kaczynski nega ser homofóbico, mas já fez várias declarações que irritaram a comunidade gay e a imprensa liberal.

(Reportagem de Filip Kochan)

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