Gatos e ratos trabalham juntos em esquadão antiexplosivos na Colômbia

Tomás e Pablo integram um esquadrão que a polícia colombiana treina para desativar as minas terrestres que a cada ano matam mais de 280 pessoas no país. Nada excepcional, a não ser que o primeiro é um gato e o segundo integra um grupo de 14 ratos capacitados para sentir o cheiro de explosivos.

AFP |

Estes animais vivem num laboratório habilitado pela academia de polícia no norte de Bogotá, de onde deve sair em novembro uma nova unidade para trabalhar em campo aberto, disse à AFP Luisa Fernanda Méndez, uma veterinária responsável por parte operacional da investigação.

"Escolhemos os ratos porque eles têm capacidade olfativa similar à dos cachorros, mas podem procurar em locais de difícil acesso e seu treinamento é rápido", explicou este especialista em etologia, ciência que estuda o comportamento animal.

O projeto, iniciado há mais de dois anos, é vital em um país que segundo um relatório do Observatório de Minas Terrestres da ONU é o mais afetado por estas armas, com uma média de três vítimas por dia (entre mortos e feridos).

Enquanto os ratos fazem a busca, os gatos ficam vigiando para que outros animais não se aproximem. "De certo modo os gatos são os guarda-costas dos ratos", afirmou Méndez.

Os resultados da pesquisa, que conta com um modesto orçamento (cerca de 50.000 dólares por ano), estão começando a ser compartilhados com outras polícias, como as do México e da Espanha.

Apesar disso, a iniciativa vem enfrentando problemas pelo ceticismo do comando da polícia e também da comunidade acadêmica local, que está começando a ser vencido.

Em um congresso interamericano de psicologia recente, esta iniciativa foi eleita uma das cinco mais inovadoras do continente.

"Os ratos aprendem muito rápido, em dois ou três dias começam a distinguir o explosivo", explicou a veterinária.

"Depois, reforçamos este comportamento durante várias semanas", acrescentou. O treinamento completo dura de dois ou três meses e começa quando os roedores têm menos de um mês. Em contraste, um cachorro só pode ser treinado a partir do segundo semestre de vida.

A polícia começou a se familiarizar com os ratos e a integrá-los aos grupos de carabineiros que trabalharão com eles.

Para Henry Muñoz, um veterano polícia especialista em treinamento de cavalos e cachorros, não foi difícil se adaptar. "No início você rejeita, claro, mas depois a gente se acostuma", contou.

hov/lm/fp

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