O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, advertiu neste sábado os adversários de Washington contra qualquer tentativa de testar o presidente eleito, Barack Obama, e pediu aos aliados do Golfo que pressionem o Irã a mudar de política.

"Ninguém deseja uma mudança de regime no Irã. Queremos uma mudança de política e uma mudança de comportamento para que o Irã se trasforme em um bom vizinho dos povos da região, e não em uma fonte de instabilidade e violência", afirmou Gates em um fórum sobre segurança organizado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) no Bahrein.

Ele disse ainda que é preciso esperar para ver se o novo governo americano ampliará as condições de uma diplomacia direta com o Irã.

"Porém, existe algo que posso dizer a vocês com confiança: que o presidente eleito não tem nenhuma ilusão sobre o comportamento do Irã e sobre o que este país faz com seu programa de armamento".

"Precisamos trabalhar juntos para tentar pressionar econômica e diplomaticamente, para provocar uma mudança no comportamento do Irã", acrescentou Gates no fórum de Manama, com autoridades de 25 países.

Uma delegação iraniana que participaria no evento não compareceu, anunciaram os organizadores.

O secretário de Defesa, que permanecerá no cargo no governo Obama, disse que da parte do futuro presidente transmitia "uma mensagem de continuidade e de compromisso a nossos amigos e parceiros na região".

"Quem pensar que nos próximos meses terá uma oportunidade para testar a nova administração, estará muito equivocado", advertiu Gates.

"O presidente Obama e sua equipe de segurança nacional, na qual me incluo, estarão preparados para defender os interesses dos Estados Unidos, de nossos amigos e aliados, assim que assumir suas funções em 20 de janeiro", ressaltou.

"Se queremos mudar o comportamento do Irã, impedir o desenvolvimento de armas nucleares e evitar um conflito, então é necessário utilizar qualquer ferramenta a nossa disposição para estas pressões", disse.

Gates afirmou ainda que a região do Golfo, rica em petróleo, continuará sendo uma das principais preocupações dos Estados Unidos.

O novo governo dos Estados Unidos dará prioridade ao Afeganistão, onde o secretário de Defesa fez uma visita surpresa esta semana e prometeu enviar de 7.000 a 8.000 soldados americanos adicionais ao país asiático, diante do aumento da violência talibã.

jm/fp

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