Gates promete assistência militar e política ao Iraque

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, prometeu nesta terça-feira desenvolver as capacidades militares do Iraque, através de vendas milionárias de armamentos e apoiar o processo político no país, onde as forças americanas se limitam agora a missões de assistência.

AFP |

De acordo com um alto funcionário da Defesa que também está no Iraque, Gates deve negociar com o governo iraquiano a venda de aviões de combates F-16. Bagdá quer adquirir pelo menos 18 aparelhos desse tipo, além de helicópteros e tanques, para enfrentar as ameaças dos países vizinhos após a saída das tropas americanas.

"Queremos hoje cooperar (com os Estados Unidos) para desenvolver nossas forças de segurança e equipá-las o mais rápido possível com armamento moderno, sobretudo aviões para as forças aéreas", afirmou Maliki em comunicado.

Com exceção de alguns helicópteros, o exército iraquiano não conta com uma verdadeira frota aérea e precisa da ajuda das forças americanas para conduzir operações importantes contra os insurgentes.

"Nossa coordenação (com as autoridades iraquianas) é estreita, no momento em que estamos desenvolvendo as capacidades militares do Iraque", afirmou Gates, no primeiro dia de uma visita de surpresa ao Iraque.

O secretário da Defesa se expressou durante uma entrevista coletiva em Bagdá, logo depois de uma reunião com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki.

"O reposicionamento, em 30 de junho, das tropas americanas, e a constante evolução de nossa parceria em matéria de segurança constitui uma outra etapa para relações normalizadas entre o Iraque e os Estados Unidos", insistiu Gates.

Afirmando que as forças iraquianas "têm capacidade de garantir a segurança das áreas urbanas", o secretário da Defesa ressaltou que as tropas americanas "ficarão a disposição para ajudar".

Mais cedo, Gates desembarcou na base aérea americana de Talli, 350 km ao sul de Bagdá, em procedência da Jordânia.

"Já não há mais no Iraque patrão ou ocupante (...) mas os iraquianos têm agora a sensação de serem realmente responsáveis", declarou Gates a jornalistas.

O secretário da Defesa americano também realiza no Iraque missão de avaliação sobre o novo papel das forças americanas, após a retirada, em 30 de junho, dos soldados das cidades do país.

Os 128.000 militares americanos no Iraque desempenham agora um papel de assistência e de conselho às forças iraquianas, encarregadas da segurança nas cidades.

No âmbito político, Gates destacou que Washington "continuará a apoiar os avanços iraquianos na direção da unidade nacional".

"Queremos fornecer nossa assistência para resolver os conflitos sobre as fronteiras e o petróleo, que exigem um compromisso político constante das diferentes partes envolvidas", acrescentou.

Um dos papéis de Gates é tentar aproximar árabes e curdos, que lutam pelo controle das áreas petrolíferas da região autônoma do Curdistão. O secretário da Defesa americano deve seguir ainda hoje para a região.

As três províncias que formam o Curdistão representam 40.000 km2 mas as forças curdas aproveitaram a invasão deflagrada pelos Estados Unidos em 2003 para ampliar sua presença em 75.000 km2, tomando o controle de parte das províncias de Kirkuk, Nínive e Diyala.

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