Gates critica grupo que vazou vídeo de ataque dos EUA a civis

A BORDO DE UM AVIÃO MILITAR DOS EUA (Reuters) - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, criticou nesta terça-feira o grupo de Internet Wikileaks pela divulgação do vídeo que mostrou o ataque de um helicóptero norte-americano, em 2007, que matou 12 pessoas em Bagdá, incluindo dois funcionários da Reuters. O grupo, que afirma promover o vazamento de provas para combater a corrupção governamental e empresarial, divulgou o vídeo sem contextualizar, disse Gates.

Reuters |

"Estas pessoas podem colocar qualquer coisa que quiserem, e nunca são responsabilizadas por isso. Não há antes e não há depois", afirmou.

O vídeo do ataque, realizado em 12 de julho de 2007, foi amplamente visto na Internet desde sua divulgação, em 5 de abril.

Alguns especialistas jurídicos e de direitos humanos dizem que os militares a bordo do helicóptero Apache podem ter agido ilegalmente. O vídeo inclui uma gravação de áudio da conversa entre os tripulantes. Muitos reagiram com choque às imagens e aos comentários dos militares.

O Exército dos EUA disse que uma investigação pouco depois do incidente apurou que forças norte-americanas desconheciam a presença de repórteres e pensaram que eles estavam acompanhando insurgentes armados, confundindo uma câmera com um lançador de granadas.

"Nós levamos estas coisas a sério", disse Gates, sobre a morte de civis.

Os funcionários da Reuters mortos no ataque foram o fotógrafo Namir Noor-Eldeen, de 22 anos, e seu assistente e motorista Saeed Chamagh, de 40 anos.

A Wikileaks rebateu a afirmação de Gates de que o vídeo não oferece contexto. Em um e-mail, acusou o Exército dos EUA de fazer "inúmeras declarações falsas ou enganosas", incluindo a alegação de que houve um tiroteio entre os militares norte-americanos e os mortos.

"Registros secretos que nós iremos divulgar em breve mostram que há o registro de um pequeno tiroteio às 9h50, em algum lugar no subúrbio da Nova Bagdá, atirador e localização NÃO IDENTIFICADOS. Não há referência às forças dos EUA terem sido atingidas pelos disparos. Os mesmos registros afirmam que às 10h18, 28 minutos depois, a multidão foi vista e a matança começou."

O e-mail não foi assinado mas foi enviado pelo endereço da assessoria de imprensa da Wikileaks.

(Reportagem de Phil Stewart e Deborah Zabarenko)

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