Gates adverte que EUA não tem uma política de longo prazo para o Irã

Washington, 17 abr (EFE).- O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, advertiu em um memorando secreto enviado à Casa Branca que o país carece de uma política eficaz a longo prazo para responder às ambições nucleares do Irã, afirmou hoje o jornal The New York Times.

EFE |

De acordo com fontes governamentais anônimas, o jornal nova-iorquino disse que a análise enviada em janeiro passado ao assessor de Segurança Nacional, o general James Jones, suscitou um enorme esforço dentro do Pentágono, da Casa Branca e da comunidade de inteligência para elaborar "novas opções" com o presidente Barack Obama.

Essas opções incluíam um conjunto de alternativas militares, ainda em imaturos, que seriam tomadas no caso de a diplomacia e das sanções não fazerem com que o Governo de Teerã mude de rumo, informa o "Times".

As fontes não ofereceram detalhes a respeito das partes do documento que "aparentemente abordavam operações secretas contra o Irã, ou como lidar com aliados no Golfo Pérsico", acrescenta o jornal.

Um funcionário de alta categoria disse que o documento serviu como uma "chamada de alerta", embora funcionários da Casa Branca insistam em que durante 15 meses tenham realizado planos detalhados para diversos cenários possíveis em resposta ao programa nuclear do Irã, assinalou o diário.

"Sobre o Irã, estamos fazendo o que dissemos que faríamos. O fato de não termos anunciado publicamente toda nossa estratégia para o mundo não significa que não tenhamos uma estratégia que antecipe a ampla gama de contingências", disse Jones em entrevista ao jornal, embora não tenha comentado sobre o memorando secreto.

O documento de Gates aponta para uma série de preocupações, entre elas a ausência de uma "estratégia eficaz no caso de o Irã optar por isso que muitos analistas dentro e fora do Governo consideram possível: que poderia juntar todas as principais partes que precisa para uma arma nuclear", informou o jornal.

Esses componentes incluiriam combustível, projeto e detonadores, apesar de que o Irã não chegaria a fabricar uma arma "completamente operacional", acrescentou.

Em tal caso, o Irã poderia continuar sendo signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, mas ao mesmo tempo se transformaria no que os estrategistas denominam estado nuclear "virtual".

O documento de Gates, segundo as fontes do "Times", pede um replanejamento de como os EUA poderiam resistir ao poder do Irã se esse país decidir produzir uma arma, e como responderia à possibilidade de que grupos terroristas apoiados por Teerã pudessem obter combustível ou armas nucleares, embora isso seja uma possibilidade menor.

Gates enviou o documento de advertência a Jones após o Irã não ter cumprido o prazo fixado pelo presidente Barack Obama em 2009 para responder a uma oferta de uma aproximação diplomática.

Os EUA e a maioria dos países da comunidade internacional aumentam as pressões a favor de sanções contra o Irã para castigar suas supostas ambições nucleares.

O Governo do Irã insiste em que seu programa só tem fins pacíficos. EFE mp/ma

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