García pede a Lula que integre América do Sul

São Paulo, 18 set (EFE).- O presidente do Peru, Alan García, pediu hoje a seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que hasteie a bandeira da integração sul-americana e estreite as relações entre os países da região.

EFE |

García, que se reuniu com Lula em São Paulo, durante uma rápida visita à cidade, disse que o Brasil é um "grande impulsor da unidade sul-americana".

"Apoiamos o papel estabilizador do Brasil, porque é um país que trabalha para e com a América do Sul", disse García ao inaugurar, junto com Lula, a exposição "Paracas - Tesouros Inéditos do Peru Antigo", última atividade do chefe de Estado em sua visita de menos de um dia.

García também declarou: "Somos dois países profundamente coincidentes, com vocação democrática e libertária, mas nos une também a vontade de integrar nosso continente em uma pátria sem fronteiras".

Lula, por sua vez, afirmou que os países da América do Sul encontraram seu "denominador comum ao mudarem" sua "geografia comercial". Além disso, lamentou o tempo que os países da região perderam para "entender que o futuro não estava do outro lado do Atlântico".

"Estou convencido de que, com o Peru, por exemplo, podemos dobrar o fluxo da balança comercial, porque agora temos dinheiro, projetos e vontade política. O Brasil tem uma centena de oportunidades no Peru", disse Lula.

As trocas comerciais entre Brasil e Peru no ano passado foram de US$ 2,644 bilhões, com um superávit de US$ 652,8 milhões para o maior dos dois países, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Em matéria de integração, Lula também citou o consenso alcançado na segunda-feira na reunião extraordinária que a União de Nações Sul-americanas (Unasul) realizou em Santiago do Chile para tratar da crise política na Bolívia.

"Decisões de consenso são aquelas em que ninguém ganha nem perde, mas, no fundo, todos terminam ganhando", ressaltou.

García, por outro lado, voltou a pedir a Lula que dê "maior velocidade" às relações e "encurte os prazos" da progressiva anulação tarifária prevista no tratado comercial assinado por ambos os países em 2004.

"Com isto, vamos atrair mais riquezas e, do Peru, oferecemos pacificamente nossos portos aos produtos brasileiros, mas também queremos que a este mercado (Brasil) cheguem nossos fosfatos, nosso cimento", acrescentou.

Segundo García, no plano bilateral, hoje foi dado um "passo substancial" com o fórum empresarial realizado na sede da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"Estamos aqui para oferecer o Peru como plataforma deste imenso país. Nossa localização geográfica é conveniente para o Brasil. Para que dar voltas no continente se podemos seguir em frente?", perguntou García, que defende a construção do corredor viário interoceânico, previsto para 2011.

Essa obra, que prevê a construção de uma estrada com 5,9 mil quilômetros de extensão, unirá os estados do Acre e dRe ondônia com o porto peruano de San Juan, no oceano Pacífico.

García também lembrou que, em janeiro de 2009, entrará em vigor o Tratado de Livre-Comércio (TLC) assinado com os Estados Unidos, razão pela qual destacou que o Peru "é o país mais rentável para a produção do Brasil". EFE wgm/sc

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