García inaugura campo de gás e prepara reforma no Peru

LIMA (Reuters) - O presidente peruano, Alan García, inaugurou na segunda-feira um importante campo de gás ao sul de Lima, e deve dar posse na terça-feira a um novo gabinete, sob a liderança do esquerdista Yehude Simon, num momento de crise por causa de um escândalo de corrupção no setor energético. Que não nos turvem os fatos políticos, sempre ficam como uma lembrança jornalística, minimizou García na localidade de Pisco, onde deu início às operações do Lote 56 e da ampliação da usina de fracionamento de líquidos de gás de Camisea.

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Na semana passada, o Peru mergulhou numa crise devido à divulgação de uma gravação em que um alto-funcionário público e um político governista combinavam o resultado de uma licitação para a concessão dos direitos de extração de hidrocarbonetos, para favorecer uma emprega norueguesa.

"O importante é o sólido, o fundamental, que não tem a urgência do debate político, mas que é o importante . Nosso país está avançando", disse García.

De acordo com o governo, o Lote 56 será operado pelo Consórcio Camisea, integrado pela argentina Pluspetrol, a norte-americana Hunt Oil, a coreana SK Energy Corp., a argentina Tecpetrol, a argelina Sonatrach e a espanhola Repsol-YPF.

O investimento para colocar em operação o Lote 56, que fica em Cusco, alcança 872 milhões de dólares desde 2004, segundo a presidência.

NOVO GABINETE

Após a divulgação das gravações, o gabinete apresentou sua renúncia. Mas Simon, que já manifestou a intenção de se candidatar a presidente em 2011, disse que alguns ministros, como o de Economia, Luis Valdivieso, permanecerão no cargo.

O futuro primeiro-ministro foi na segunda-feira ao Congresso, onde prometeu uma forte luta contra a corrupção e a pobreza, que afeta 40 por cento da população, apesar da boa fase econômica do país.

Simon, que passou oito anos preso na década passada, acusado de ligação com um movimento guerrilheiro, disse ainda que "o narcotráfico e o terrorismo são os principais inimigos da democracia".

O Peru é o segundo maior produtor mundial de cocaína. Segundo as autoridades, remanescentes das guerrilhas operam na selva em aliança com traficantes.

A troca do gabinete ocorre no momento de menor popularidade do presidente García, que assumiu o seu segundo mandato em 2006, depois de governar o Peru entre 1985 e 1990.

(Por María Luisa Palomino; com reportagem de Dante Alva)

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