García faz promessas em discurso, mas não fala sobre conflitos sociais

Rocío Otoya Lima, 28 jul (EFE).- O presidente do Peru, Alan García, prometeu hoje, ao completar o segundo ano de seu Governo, uma melhor redistribuição das riquezas e lutar contra a inflação e a pobreza, embora tenha deixado de lado em sua mensagem à nação assuntos como os conflitos sociais e os direitos humanos.

EFE |

"Anuncio que neste terceiro ano, depois de um grande impulso material, proponho aprofundar a redistribuição aumentando os recursos da luta contra a pobreza extrema e o número de seus beneficiados", disse García em seu discurso no Congresso peruano, no marco das celebrações pelas Festas Pátrias.

Com 70% de rejeição, o chefe de Estado atribuiu o descontentamento da população ao aumento do custo de vida, já que a inflação nos últimos 12 meses foi de 7%, devido ao "gravíssimo problema (da alta de preços de alimentos e combustíveis)" em nível internacional.

Em um discurso em que sobraram números sobre produtividade, García reafirmou o compromisso de "controlar severamente o aumento dos preços", assim como moderar o gasto público.

Diante de um agravamento da crise mundial, ele afirmou que as reservas internacionais líquidas, que atualmente somam US$ 35 bilhões, ajudarão o país a adquirir bens e alimentos, e destacou, entre outros aspectos, o aumento das reservas de gás de US$ 30 bilhões para US$ 35 bilhões.

Este ano, segundo ele, o Peru terá a menor inflação da região, com a taxa mais alta de emprego e produção, ao lembrar que a economia cresceu 9% em 2007 e o país recebeu o grau de investimento de duas agências de classificação de risco este ano.

O presidente admitiu erros em seu Governo, especialmente nos setores de saúde, agricultura e segurança cidadã, e prometeu "mais serenidade" e "mais modéstia", um dos maiores defeitos atribuídos a ele.

No plano internacional, ele elogiou a iniciativa peruana para fomentar o diálogo entre América Latina e União Européia (UE) sobre a lei de imigração, e reafirmou sua intenção de assinar, no seio da Comunidade Andina, um acordo de associação com o bloco europeu.

Garcia também enfatizou a realização este ano de duas cúpulas mundiais no Peru, a apresentação em janeiro de um processo contra o Chile perante a Corte Internacional de Justiça de Haia para fixar os limites marítimos e a assinatura de Tratados de Livre Comércio (TLC) com Estados Unidos, Canadá e Cingapura.

Na mensagem, García prometeu reduzir a pobreza no final de seu mandato, em 2011, a 30%, alfabetizar um grande número de peruanos até novembro e impulsionar a criação de um Ministério da Cultura.

"Esse Ministério existe em toda a Europa e na América Latina e, no entanto, não existe aqui, onde temos tantas razões para criá-lo", reafirmou García.

"Porque esta é a pátria mãe da América do Sul, porque daqui nasceram os outros países", declarou referindo-se ao fato de que o Peru foi berço do Império Inca e capital principal do vice-reinado espanhol.

Ele exigiu maior rigor na aplicação da lei sobre lavagem de dinheiro em meio à luta contra o narcotráfico.

No entanto, García deixou de lado temas como a potencialização das Forças Armadas, as investigações sobre massacres durante a luta contra o terrorismo em décadas passadas e o julgamento do ex-presidente peruano Alberto Fujimori (1990-2000).

Também não se falou "de um só conflito social", ressaltou o sociólogo e analista Julio Cotler à rede de televisão local "América Televisión", nem do "uso das Forças Armadas para conter a ordem pública".

"Os peruanos estão comendo 15% menos e não escutamos nenhuma proposta por parte do presidente García", especificou a congressista Keiko Fujimori. Entretanto, o primeiro-ministro (chefe do conselho de ministros) peruano, Jorge del Castillo, destacou que o presidente do Peru "teve uma atitude muito humilde e muito autocrítica em seu discurso". EFE wat/rb/rr

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