García e Lula impulsionam maior projeto petroquímico do oeste da América

Lima, 17 mai (EFE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado do Peru, Alan García, respaldaram hoje a assinatura do memorando de entendimento para construir em solo peruano o maior projeto petroquímico do litoral oeste da América, que terá um investimento de US$ 3 bilhões. O projeto, que emprega tecnologia de ponta para a produção de etileno e polietileno, foi assinado pelos responsáveis da Petrobras, Braskem e Petroperú, durante a visita oficial ao Peru realizada hoje por Lula. Com aplicações de US$ 336 milhões em 2007 e um capital para investimentos de US$ 2 bilhões, o Brasil é um dos dez maiores investidores do país vizinho, nação que teve um crescimento sustentado em 2007 de 8,2%, mas com um déficit em infra-estruturas de US$ 20 bilhões. Durante a visita -realizada um dia depois da 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, em inglês) - os dois Governos assinaram dez convênios de cooperação em matéria de fortalecimento institucional e assistência técnica em gestão pública, trabalho, pequenas e médias empresas, agricultura, casa, saúde e mineração. Na reunião de trabalho das delegações oficiais, Lula criticou as petrolíferas Petrobras e Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA) pelo atraso na aplicação dos acordos adotados por ele e pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Quando me reúno com o presidente Chávez, entramos em acordo em 30 minutos. Quando se sentam Petrobras e PDVSA, há um descontrole total, criticou Lula ...

EFE |

"Chávez e eu nos reunimos, chegamos a um acordo, nos abraçamos e, um mês depois, Petrobras e PDVSA não se puseram de acordo e nada está bem", disse Lula ao presidente peruano, Alan García, que brincou dizendo que as petrolíferas "se tornam divas", porque são "como moças bonitas em um baile com muitos pretendentes".

O presidente brasileiro afirmou que a aliança estratégica entre Brasil e Peru é um expoente do "firme compromisso da integração sul-americana", que até alguns anos era impensável.

Mas ainda resta muito a fazer, acrescentou Lula, que colocou como exemplo as "desastrosas" comunicações aéreas no Brasil, em particular, e na América do Sul, em geral.

O governante brasileiro anunciou a realização, em julho, do primeiro encontro de empresários de ambos os países em São Paulo, que, a partir de agora, ocorrerá duas vezes ao ano em sedes alternadas.

"Nossos países têm o mesmo desafio, superar uma pesada herança de injustiça e desigualdade que impediu nosso desenvolvimento", e prova disso é que a primeira ponte entre ambas as nações nos últimos 500 anos foi construída recentemente durante seu Governo.

Segundo ele, o Brasil alcançou um crescimento sólido, mantendo baixa a inflação, expandindo o mercado interno e reduzindo a pobreza e as desigualdades.

Lula, que descreveu o Peru como o "campeão econômico da América do Sul", se comprometeu a impulsionar neste país o investimento das empresas públicas brasileiras e favorecer as do setor privado.

Por sua parte, García disse a Lula que "o colosso econômico" da região tem que perceber que o Peru oferece oportunidades muito favoráveis para investir e ganhar muito dinheiro, e se comprometeu a "que a indústria brasileira tenha todas as facilidades possíveis".

O principal problema do Peru é a dispersão demográfica, já que com 52 mil centros povoados a mais de 2.500 metros de altitude e menos de 200 casas em cada um, é muito difícil dotar esses locais de imóveis, destacou.

Mas, da mesma forma que o Brasil, o Peru obteve o grau de investimento por parte das agências de classificação de risco internacionais, assinou um Tratado de Livre-Comércio com os Estados Unidos e está empenhado em alcançar um acordo de associação com a União Européia, acrescentou.

"Precisamos do empurrão do Brasil em infra-estrutura rodoviária, elétrica, construção de gasodutos, portos, indústria pesqueira e alimentícia e o setor imobiliário", disse o peruano, que se comprometeu com Lula a "resolver qualquer problema que uma empresa do Brasil" que invista em seu país tiver.

mf/db

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