Galápagos ainda podem ter modelo sustentável apos virar Patrimônio em Perigo

Chema Ortiz Puerto Ayora (Equador), 25 jun (EFE).- Ainda é possível aplicar um novo modelo sustentável de conservação e desenvolvimento nas ilhas Galápagos, disse à Agência Efe o diretor da Fundação Charles Darwin, Graham Watkins, um ano após o arquipélago ter sido declarado Patrimônio Mundial em Perigo pela Unesco.

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Watkins afirmou que "as Galápagos são as ilhas tropicais mais bem conservadas no mundo", porém advertiu que o modelo atual de desenvolvimento "não é sustentável".

"Caso mantenhamos esta direção não vamos chegar onde queremos", declarou Watkins, que acredita que a imposição de um novo modelo "vai demorar entre 15 e 20 anos", o que o faz considerar necessário "começar agora" a solucionar uma série de problemas.

Para Watkins, o processo de mudança "já está começando a acontecer e tem três elementos que são vitais", o primeiro deles "definir quem está liderando Galápagos e elaborar uma visão clara do futuro de onde partimos e como vamos chegar".

Até agora, lembrou Watkins, cerca de 70 instituições do Governo atuavam em Galápagos, onde formavam uma "teia" que não permitia transparência na liderança para um trabalho eficiente, o que começou a mudar atualmente com a nomeação de um governador com amplo apoio do Executivo.

"O segundo ponto é analisar bem todo o modelo econômico de Galápagos, saber bem o que está acontecendo e movimentá-lo em direção a um modelo de sustentabilidade e isto, certamente, tem que começar com o negócio mais importante, que é o turismo", declarou Watkins.

Ele propõe que sejam tomadas medidas para limitar a entrada de turistas e diz que empresas locais de qualidade sejam priorizadas, com créditos e apoio técnico, sobretudo para os navios turísticos de pequena capacidade.

Em 2007, 170 mil turistas (dos quais 120 mil eram estrangeiros e 50 mil equatorianos) visitaram as ilhas, um número que supera amplamente os 140 mil de 2006 ou os 122 mil de 2005.

Isto fez com que em 2007 o número de vôos para as ilhas chegasse a 30 por semana, o dobro de 2001, e tenha possibilitado que os negócios turísticos se multiplicassem, transformando o turismo ecológico em turismo de massa e propiciando o crescimento da população das ilhas, que é de aproximadamente 30 mil pessoas.

O terceiro aspecto, afirmou, "é aplicar o que tinha sido proposto em 1998 com a reforma educacional integral de Galápagos, que requer mudanças não apenas na educação ambiental, mas na capacitação do povo para que possa trabalhar aqui e seja parte de um sistema econômico sustentável".

"Fora estes três pontos é necessário continuar apagando os incêndios que aparecerão ou que já estão aqui, particularmente remover espécies invasoras, assegurar que não perdemos mais espécies ameaçadas e minimizar os riscos de poluição e outros aspectos que vêm com um modelo não sustentável de desenvolvimento", declarou.

"Atacando estes problemas talvez seja possível conseguir construir um dos primeiros modelos para o mundo de uma sociedade sustentável e assegurar, ao mesmo tempo, a conservação de um lugar tão especial como Galápagos", disse Watkins.

No entanto, há motivos para "otimismo", segundo Watkins, pois "as ilhas não habitadas agora estão em melhores condições que há cem anos". Naquela época, as peculiares espécies freqüentes serviram de inspiração para que Darwin elaborasse a teoria da evolução, Segundo ele, "no último ano foram dados passos adiante em Galápagos".

"O mais importante foi reconhecer a necessidade de realizar uma mudança profunda", disse Watkins. Para ele, a declaração de emergência do presidente do Equador, Rafael Correa, foi mais importante do que a inclusão do arquipélago na categoria de Patrimônio em Perigo pela Unesco.

No dia 10 de abril de 2007, Correa declarou em risco as ilhas Galápagos e assinou um decreto no qual estabelecia como prioridade nacional sua conservação, enquanto sugeriu um modelo de desenvolvimento social e econômico sustentável para o local.

Dois meses e meio depois, em 26 de junho, a Unesco as declarou Patrimônio em Perigo, em resposta à degradação de seu meio ambiente pelo crescimento do turismo, da imigração e da introdução de espécies não autóctones. EFE cho/bm/fal

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