Gafe de Jesse Jackson faz ressurgir questão racial na campanha eleitoral

A gafe cometida pelo pastor negro americano Jesse Jackson com o candidato democrata à Casa Branca Barack Obama fez ressurgir nesta quinta-feira a questão racial na campanha presidencial americana.

AFP |

Durante uma entrevista à rede de televisão Fox, o pastor Jackson, militante dos direitos cívicos, declarou em voz baixa a outro convidado que Obama "falou mal com os negros".

"Quero cortar as bolas dele", acrescentou o ex-colaborador do líder negro da luta pelos direitos cívicos Martin Luther King, antes de pedir desculpas publicamente.

O pastor de 66 anos afirmou que "lamenta a grosseria" de suas declarações, e expressou seu apoio a Obama.

Jackson explicou que o objetivo de suas declarações foi incentivar o senador de Illinois a passar a considerar o governo e as políticas públicas como as principais responsáveis pela situação dos negros nos Estados Unidos.

Barack Obama, cujo pai é queniano, pode ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. No entanto, ele sempre teve o cuidado de não se apresentar como um "candidato negro".

Alguns analistas acreditam que o incidente poderia ajudar Obama, marcando as diferenças que existem entre o jovem candidato democrata e as mais velhas personalidades políticas tradicionais da comunidade afro-americana, vistas com maus olhos por muitos eleitores brancos da classe média baixa cujo apoio será essencial para derrotar o republicano John McCain na eleição presidencial de novembro.

As pesquisas realizadas durante as primárias democratas mostraram que Obama tem dificuldades para convencer esta categoria de eleitores.

Obama já teve que se distanciar há alguns meses do pastor negro Jeremiah Wright, que havia proclamado durante um discurso "que Deus amaldiçoe a América", devido ao racismo existente nos Estados Unidos.

Em uma tentativa de virar a página, o senador de Illinois pronunciou em seguida um discurso muito aplaudido sobre o racismo, tanto o dos brancos como o dos negros.

Em meados de junho, Obama lançou no dia dos pais um apelo a todos os homens envolvidos, principalmente os negros, para que assumam suas responsabilidades nas famílias pobres.

Ele denunciou naquela ocasião os pais ausentes "que fugiram de suas responsabilidades e se comportam como crianças, e não como homens". "Todos nós sabemos como isso é verdade na comunidade negra", acrescentou então.

"Como alguém que cresceu sem pai em casa, o senador Obama escreveu e pronunciou discursos sobre o papel dos pais, e principalmente sobre a importância da presença do pai na vida de seus filhos", explicou em comunicado Bill Burton, um porta-voz da campanha de Obama.

Barack Obama "vai continuar a ressaltar a importância de nossas responsabilidades uns com os outros, e aceita as desculpas do pastor Jackson", acrescentou Burton.

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