Por Matthew Bigg ATLANTA (Reuters) - Os eleitores dos EUA engolem o fato de que o candidato republicano a presidente, John McCain, é riquíssimo. Mas não toleram a impressão de que ele não entende as preocupações econômicas da maior parte da população, segundo analistas ouvidos na sexta-feira.

Por isso, dizem eles, o democrata Barack Obama está tratando de explorar a gafe cometida nesta semana por McCain ao admitir numa entrevista que não sabe quantos imóveis possui.

Tanto McCain quanto Obama tentam passar a imagem de que estão mais sintonizados com o eleitorado em questões como desemprego, preço da gasolina e crise hipotecária.

Até agora, Obama é quem estava na defensiva pelas acusações, surgidas ainda durante as primárias, de que ele seria um elitista, alienado das preocupações das pessoas comuns.

'Não é a riqueza [de McCain] em si, porque não nos ressentimos dos ricos, queremos ser um deles', disse Steven Greene, professor de Ciência Política da Universidade do Estado da Carolina do Norte. 'A questão é o 'fora de contato'.

Queremos presidentes que 'sintam' o que o americano médio está enfrentando'.

Na entrevista de quarta-feira ao jornal Politico, McCain pediu a assessores que lhe informassem quantos imóveis possuía.

Os assessores contaram 'pelo menos' quatro imóveis, mas o blog político Talking Points Memo disse que são entre 8 e 11, dependendo de como se conta. Alguns desses imóveis estariam avaliados em mais de 1 milhão de dólares. A esposa de McCain, Cindy, é herdeira de uma grande distribuidora de cerveja.

Poucas horas depois da entrevista, a campanha de Obama já divulgava um vídeo tratando do assunto. O candidato lembrou que seu rival já havia citado anteriormente que a economia estava 'fundamentalmente forte'.

'Ele obviamente não tem um sentido muito claro do que os americanos médios estão passando', disse Obama.

Michael Franc, da entidade conservadora Heritage Foundation, disse que a disputa pode ser nociva a McCain. 'Ele pode aparecer como alienado da realidade. Como ele pode falar de fissuras no orçamento doméstico se não sabe nem quantas casas possui?'

Já o estrategista republicano John Feehery argumentou que o status de McCain como herói da guerra do Vietnã vai se sobrepor ao episódio, pois os eleitores o vêem como um político patriota e dedicado à causa pública.

'Desde que McCain possa comunicar que ele entende os problemas das pessoas normais, essa será uma história de 24 horas', disse Feehery.

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