Gabinete sul-coreano apresenta renúncia em meio a protestos no país

Cecilia Heesook Paek Seul, 10 jun (EFE).- A crise política gerada pelo medo dos cidadãos sul-coreanos da importação de carne bovina dos Estados Unidos chegou hoje a seu ápice com a oferta de renúncia em bloco do Governo e a convocação de uma manifestação em massa em todo o país.

EFE |

O primeiro-ministro da Coréia do Sul, Han Seung-soo, e seu Gabinete apresentaram a renúncia em massa em plenário para assumirem a responsabilidade da crise criada pelo acordo comercial assinado com os EUA para abrir o mercado à carne bovina americana, inclusive para animais com mais de 30 meses, que são mais propensos ao mal da vaca louca.

Agora, o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, deve considerar se aceita a renúncia coletiva ou apenas a de alguns ministros.

Segundo fontes da Presidência entrevistadas pela agência local "Yonhap", Lee poderia aceitar depois de amanhã a renúncia de seis ministros, entre eles os titulares das pastas mais relacionadas à crise: Assuntos Exteriores, Finanças e Agricultura.

A oposição, por sua parte, pede uma remodelação total do Gabinete.

A paciência da população se esgotou depois de apenas três meses do Governo de Lee nos quais esteve sujeito a uma avalanche de críticas dos cidadãos por causa de vários assuntos, como a entrega de ministérios para pessoas abastadas.

No entanto, o que desencadeou a crise política foi a onda de passeatas que têm acontecido desde o dia 2 de maio em todo o país, principalmente em Seul, para protestar contra a possível abertura do mercado sul-coreano à carne bovina dos EUA.

Neste período, o índice de aprovação de Lee caiu para cerca de 17%.

Está prevista para hoje, data do 21º aniversário das mobilizações que terminaram com a ditadura militar na Coréia do Sul, uma convocação no centro de Seul que pode reunir pelo menos 300 mil pessoas.

Os organizadores acreditam que 1 milhão de pessoas em todo o país irão ao centro da capital sul-coreana para participar do maior protesto realizado até agora contra a carne bovina americana que se prolongará até a noite.

A tensão cresceu nas últimas 24 horas por causa de um possível enfrentamento entre manifestantes e membros de organizações conservadoras, contrárias aos protestos, que convocaram uma contramanifestação no mesmo local.

A Polícia colocou duas fileiras de contêineres no centro de Seul para bloquear o acesso à casa presidencial e já mobilizou 30 mil agentes antidistúrbios.

Desde o início dos protestos, a Polícia sul-coreana já prendeu mais de 500 pessoas, e várias dezenas manifestantes e policiais ficaram feridos em dois finais de semana.

Os manifestantes protestam contra um amplo leque de assuntos, mas a questão central é o acordo para abrir o mercado sul-coreano para a carne bovina dos EUA assinado em abril, um dia antes da cúpula realizada em Camp David (EUA) entre Lee e o presidente americano, George W. Bush.

Os manifestantes acusam o Governo sul-coreano de ter aberto o mercado nacional para a carne bovina dos EUA para conseguir vantagens políticas durante a cúpula, ao invés de ter imposto critérios sanitários.

A decisão de Lee se inscreve no contexto de perigo de paralisação do acordo de livre-comércio entre EUA e Coréia do Sul, embora apenas necessite de ratificação pelos respectivos Parlamentos.

A Coréia do Sul foi o maior destino da exportação de carne bovina dos EUA até o fechamento das fronteiras com o surgimento de casos de vaca louca nos EUA.

Ontem, o presidente sul-coreano reconheceu não ter estado à altura dos cidadãos e expressou sua disposição de ouvir a opinião pública. EFE ce/wr/fal

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