Os ministros do gabinete de segurança de Israel deverão discutir uma proposta de cessar-fogo unilateral neste sábado, em meio aos esforços diplomáticos para acabar com um conflito na Faixa de Gaza que já dura três semanas. O porta-voz do governo de Israel, Mark Regev, disse que houve progresso suficiente nas conversações na capital egípcia, Cairo, para que Israel aceite um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

"A diplomacia está agora em marcha acelerada. Espero que estejamos entrando no ato final (da ofensiva)", disse Regev. "Esperamos que isso termine o mais rápido possível."
"No minuto em que nos assegurarmos que a solução não será apenas um curativo, no minuto em que entendermos que a situação será de uma paz sustentável, então faremos isso (o cessar-fogo)", afirmou o porta-voz.

Representantes de Israel e do movimento palestino Hamas realizaram negociações em separado com mediadores do Egito.

O Hamas insiste que um cessar-fogo precisa incluir a retirada das tropas israelenses de Gaza e uma suspensão imediata do bloqueio imposto por Israel ao território. Mas um líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse que o grupo não vai aceitar as atuais condições para um acordo.

"Apesar de toda a destruição na Faixa de Gaza, eu garanto a você que nós não vamos aceitar as condições de Israel para um cessar-fogo", disse ele em Doha, no Catar.

As principais exigências de Israel são o fim do lançamento de foguetes por militantes palestinos em seu território, e a criação de mecanismos que impeçam o contrabando de armas do Egito para a Faixa de Gaza. Os israelenses temem que o grupo militante palestino Hamas volte a se armar no caso de um cessar-fogo na região.

Contrabando de armas
Esta segunda exigência pode ter sido atendida com um acordo fechado mais cedo entre Israel e os Estados Unidos.

A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, assinaram um memorando de entendimento em Washington no último dia de Rice no cargo, que determina medidas de cooperação em inteligência e logística entre os dois países para cortar o envio de armas para Gaza.

O documento, que ainda não teve todos os seus detalhes revelados, também enfatiza a necessidade de medidas de cooperação internacional e regional para evitar que armas também cheguem a Gaza por via marítima.

"Para que um cessar-fogo em Gaza seja viável, deve haver um fim no contrabando de armas", disse a ministra israelense na cerimônia de assinatura. "É por isso que o memorando de entendimento assinado hoje é tão importante, pois é um componente vital para o fim das hostilidades."
"Mesmo depois que a ofensiva terminar, nós nos reservamos o direito de nos defendermos contra atividades terroristas em Gaza, incluindo o contrabando de armas", acrescentou Livni. "Isso agora pode ser prevenido pela comunidade internacional pelos termos deste memorando."
Sofrimento
A secretária de Estado americana afirmou que os Estados Unidos estão procurando "colocar um fim no sofrimento dos palestinos atingidos pelos conflitos entre o Hamas e Israel".

"Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com os palestinos inocentes que estão sofrendo em Gaza", disse Rice. "Um fim sustentável das hostilidades - no lugar de um que entre em colapso em poucos dias ou semanas - é crucial para acabar com este sofrimento."
Fontes dos serviços de saúde palestinos dizem que pelo menos 1.105 pessoas morreram e 5,1 mil ficaram feridas desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.

Do lado israelense, 13 pessoas morreram, sendo três delas civis, segundo o Exército do país.

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