G8 se reúne para negociar acordo ambiental de longo prazo

Isabel Conde Tóquio, 24 mai (EFE).- Os ministros do Meio Ambiente dos países do G8 (grupos do sete países mais desenvolvidos e a Rússia) iniciaram hoje uma reunião de cúpula em Kobe, no sudoeste do Japão, na qual tentarão estabelecer as bases de um acordo de longo prazo para reduzir pela metade as emissões de poluentes até 2050.

EFE |

Por meio deste encontro, os representantes de primeiro escalão da pasta de Meio Ambiente de França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Canadá, Estados Unidos, Japão e Rússia tentarão enviar ao mundo uma mensagem clara sobre o compromisso dos membros do G8 na luta contra a mudança climática.

Embora não se espere que os ministros cheguem a um acordo definitivo sobre o tema, a expectativa é que eles abram caminho para os chefes de Estado e de Governo do seleto clube, que se reunião em julho na cúpula de Hokkaido (norte do Japão).

Durante o primeiro dia de reuniões, Japão e EUA concordaram em colaborar com o estabelecimento de um fundo multilateral de "tecnologias limpas" que ajude a difundir os avanços tecnológicos mais sustentáveis.

Para a pesquisa e o desenvolvimento dessas tecnologias, que podem ser úteis na luta contra a mudança climática, os EUA querem contar com apoio financeiro do Japão, segundo a agência de notícias "Kyodo".

O ministro do Meio Ambiente japonês, Ichiro Kamoshita, afirmou hoje que o Japão, como presidente anual do G8, proporá a criação desse fundo durante a cúpula de Hokkaido, em julho.

Neste sábado, os ministros também começaram a discutir as possíveis soluções para a mudança climática a serem adotadas a partir da era pós-Kioto, isto é, de 2013.

Entre as propostas de curto prazo dos países do G8, destaca-se a do Japão, que oferece a possibilidade de serem impostos cortes setoriais nas emissões de dióxido de carbono (CO2).

A proposta japonesa institui um limite de liberação de gases poluentes indústria por indústria e área por área, o que incluiria restrições para escritórios, casas e transportes, segundo a "Kyodo".

Quanto às soluções a longo prazo, foi proposta na reunião a possibilidade de se reduzir pela metade as emissões de gases poluentes até 2050, projeto que conta com o apoio da União Européia (UE).

No entanto, os EUA, único país industrializado que não assinou o Protocolo de Kioto em 1997, se mostram reticentes em relação ao estabelecimento de cotas obrigatórias de emissões a longo prazo que não incluam os países em desenvolvimento que mais poluem, como Índia e China.

Para este encontro, os membros do G8 convidaram representantes de países emergentes como o Brasil e o México, para que o tratado que substituirá o Protocolo de Kioto seja verdadeiramente "global e efetivo".

A solução que o G8 busca é um compromisso "comum, mas com responsabilidades diferentes", disse Kamoshita à imprensa, segundo a "Kyodo".

Depois de se reunir com representantes de ONGs, os ministros participaram de uma sessão sobre a importância de se preservar a biodiversidade.

Hoje à noite, os ministros do Meio Ambiente irão a uma recepção oficial em Kobe e, amanhã, se reunirão para discutir o uso eficaz dos recursos e aumentar os esforços para a reciclagem.

Em seguida, continuarão discutindo possíveis soluções para a mudança climática, enquanto, na segunda-feira, concederão uma entrevista coletiva para apresentar as conclusões da cúpula.

A reunião em Kobe é uma dos encontros ministeriais preparatórios para a cúpula do G8, que acontecerá de 7 a 9 de julho na região montanhosa do lago Toya, na ilha de Hokkaido. EFE icr/wr/sc

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