G8 promete punir membros do governo do Zimbábue por violência

Por David Ljunggren TOYAKO (Reuters) - O Grupo dos Oito (G8) acertou na terça-feira impor sanções direcionadas contra as principais autoridades do Zimbábue em virtude da violenta reeleição, no mês passado, do presidente Robert Mugabe, há 28 anos no poder.

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A entidade, que reúne os principais países industrializados do mundo, mostra-se profundamente preocupada com o desenrolar dos fatos naquela empobrecida nação do sul da África e não reconheceu a legitimidade do atual governo zimbabuano, o qual não refletiria a vontade do povo.

Mugabe era o candidato único no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no dia 27 de junho. E isso porque o líder oposicionista Morgan Tsvangirai havia saído da disputa, citando como motivo uma onda de violência patrocinada pelo governo e voltada contra os candidatos e simpatizantes do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), partido que dirige.

'Vamos adotar novas medidas, incluindo sanções financeiras e de outros tipos contra as pessoas responsáveis pela violência', afirmaram os líderes do G8 em um comunicado oficial divulgado após discutirem a questão durante um jantar.

O comunicado não forneceu mais detalhes sobre quais medidas seriam essas.

Os EUA disseram na quinta-feira passada esperar que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) vote nesta semana um pacote de sanções voltado contra Mugabe e seu principais assessores.

Os líderes do G8, conclamando o governo zimbabuano a solucionar a crise pacificamente, também recomendaram que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeie um enviado especial para o Zimbábue.

Na terça-feira, meios de comunicação oficiais do país africano afirmaram que o Zanu-PF, partido de Mugabe, e a oposição estavam retomando negociações mediadas pelo presidente sul-africano, Thabo Mbeki.

Segundo Tsvangirai, no entanto, a oposição não participará de qualquer diálogo enquanto o governo Mugabe continuar realizando ações violentas contra seus simpatizantes e não aceitar que Tsvangirai venceu a eleição na primeiro turno dela, realizado no dia 29 de março.

'Lamentamos o fato de as autoridades zimbabuanas terem continuado com a eleição presidencial apesar da ausência de condições apropriadas para uma votação livre e justa como resultado de seus atos sistemáticos de violência, obstrução e intimidação', disseram os líderes do G8.

'Não aceitamos a legitimidade de um governo que não reflita a vontade do povo zimbabuano.'

Segundo o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, o comunicado do G8 mostrava que a comunidade internacional estava unida contra o governo de Mugabe.

O G8, que já deixou claro considerar a eleição inválida, advertiu na segunda-feira os líderes africanos que o fluxo comercial e de investimentos para o continente poderia ser prejudicado caso eles não enfrentassem o presidente zimbabuano.

(Reportagem de Paolo Biondi e David Clarke)

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