G8 promete enfrentar choque econômico, mas não chega a acordo sobre clima

Os líderes das oito maiores potências mundiais prometeram nesta quarta-feira atuar para enfrentar o triplo choque que aflige a economia mundial - petroleiro, alimentar e de crédito -, mas fracassaram em chegar a um acordo com os países emergentes sobre como combater as mudanças climáticas.

AFP |

Os líderes do Grupo dos Oito (G8) declararam sua disposição em lutar para diminuir os preços astronômicos dos produtos agrícolas e do petróleo, que impulsionaram o aumento da inflação e ameaçam a estabilidade econômica mundial, já comprometida pela crise "subprime", ao final de uma reunião de cúpula em uma cidade localizada nas montanhas do norte do Japão.

"No coração da reunião esteve o triplo choque na economia mundial: os crescentes preços do petróleo, os crescentes preços dos alimentos e a contração do crédito" financeiro, resumiu o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Uma semana depois de o barril de petróleo ter sido cotado ao recorde histórico de 146 dólares após a multiplicação do seu valor por cinco em cinco anos, o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, afirmou que o G8 está de acordo sobre "a necessidade de se melhorar a transparência no mercado petroleiro".

O G8 também pediu um equilíbrio maior entre a oferta e a demanda, e estimulou um diálogo mais intenso entre países produtores e consumidores de cru para aumentar a transparência.

Os líderes fizeram um apelo para que todos os países ponham fim às restrições à exportação de alimentos, disse Fukuda.

O presidente norte-americano, George W. Bush, considerou os resultados de seu último G8 "muito produtivos". "Obtivemos um êxito significativo", disse.

Os chefes de Estado e de Governo do G8 decidiram trabalhar com seus colegas dos principais países emergentes, incluindo o Brasil, para reduzir a longo prazo as emissões de gases poluentes, mas fracassaram em adotar metas concretas.

Em uma reunião ampliada do G8, os países ricos não conseguiram fazer com que os emergentes aderissem ao seu acordo de reduzir em pelo menos 50% as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2050.

Em troca, os países ricos haviam se comprometido a adotar ações de médio prazo (2020), segundo uma proposta japonesa.

Mas para os grandes países emergentes reunidos no G5 -Brasil, México, China, Índia e África do Sul- os países ricos têm uma responsabilidade histórica no aquecimento do planeta e sua promessa de redução de emissões não é suficiente.

O G5 pediu que o clube dos oito mais ricos reduza suas emissões de gases poluentes entre 80% e 95% até 2050 (em vez de apenas 50%), e se comprometa a baixar de 25% para 40% suas emissões até 2020.

Os Estados Unidos são o único grande país industrializado que não aderiu ao Protocolo de Kyoto, e insiste que os grandes emergentes também devem fazer esforços para diminuir suas emissões. Apesar disso, o governo norte-americano aceitou pela primeira vez fixar uma meta de redução para 2050.

A estagnação do diálogo entre países ricos e emergentes bloqueia os avanços para a adoção de um novo Protocolo de Kioto no final de 2009 em Copenhague, uma meta fixada no mês de dezembro em Bali durante uma conferência convocada pela ONU.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, saudou o "passo adiante" do G8 na luta contra o aquecimento global, mas pediu objetivos mais ambiciosos nesse tema e no combate à crise alimentar.

"Evidentemente, representa um passo adiante. Mas devemos ir mais além", disse Ban em um comunicado.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, pediu que o assunto não seja considerado "um confronto entre países desenvolvidos e em desenvolvimento" e pediu que os emergentes "reconheçam que não existe uma contradição entre crescimento econômico e redução das emissões".

Em outra frente, o G5 conseguiu ampliar sua participação na próxima reunião do G8 em 2009 na Sardenha, Itália.

"Esta é uma evolução extremamente importante e vários presidentes já estão defendendo a idéia de que é preciso haver um bloco para discutir as coisas de maneira conjunta", disse o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à imprensa após ter se reunido com Berlusconi.

bur-lbc/dm

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