G8 pede verificação de desnuclearização norte-coreana e eleições no Zimbábue

Isabel Conde Kioto (Japão), 27 jun (EFE).- Os ministros de Exteriores do Grupo dos Sete Países Mais Industrializados e a Rússia (G8) pediram hoje a verificação do processo de desnuclearização da Coréia do Norte, após a apresentação da esperada lista com seu arsenal nuclear, assim como da legitimidade do Governo no Zimbábue.

EFE |

Os ministros de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Rússia e Japão concluíram hoje uma reunião de dois dias em Kioto (centro do Japão), que foi pautada por assuntos relacionados à Coréia do Norte.

Outro assunto de destaque foi a "profunda preocupação" com a instabilidade política no Zimbábue, que realiza hoje um controverso segundo turno de suas eleições presidenciais.

"Concordamos com a necessidade de que a declaração nuclear da Coréia do Norte seja verificada exaustivamente", disse o ministro de Exteriores japonês, Masahiko Komura, anfitrião da cúpula.

O G8 concordou em pressionar o avanço do processo do diálogo de seis lados para a desnuclearização norte-coreana - do qual participam as duas Coréias, Japão, China, Rússia e EUA - que representa "um ponto importante em direção à meta final", segundo assinalou Komura em entrevista coletiva conjunta.

Sobre a questão dos seqüestros de cidadãos japoneses por parte do regime de Pyongyang, nos anos 70, o Japão assegurou que conseguiu o apoio do restante dos ministros do G8 para que "medidas concretas para a resolução" do caso fossem tomadas.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que os seqüestros são temas "sérios" para seu país e que o Governo de George W. Bush "está determinado a ver este assunto resolvido em breve e de forma positiva".

A Coréia do Norte destruiu hoje a torre de refrigeração da usina nuclear de Yongbyon, a principal instalação atômica do regime comunista, o que coincidiu com a mensagem contundente enviada pelos ministros do G8 contra a proliferação de armas de destruição em massa.

Os ministros também manifestaram "grande preocupação" com o programa nuclear do Irã, que foi convidado para responder de forma positiva aos pedidos da comunidade internacional a fim de "suspender todas as atividades de enriquecimento" de urânio.

Sobre a situação política no Zimbábue, o G8 emitiu um comunicado no qual expressou sua preocupação e advertiu que não considerará legítimo um Governo que não conte com o respaldo da vontade popular, após o segundo turno de hoje, do qual a oposição não participa.

Rice falou sobre possíveis sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o Zimbábue caso a situação de instabilidade e violência política no país africano persista.

A secretária de Estado americana classificou as eleições presidenciais zimbabuanas de "farsa", e disse que "não pode haver resultados legítimos" devido à "intimidação a que a oposição foi submetida" pelo Governo de Robert Mugabe.

Já o ministro de Exteriores italiano, Franco Frattini, disse que seu país tem a intenção de pedir à França, que ocupará a Presidência da União Européia (UE) em julho, para começar o processo de consultas prévias a fim de retirar do Zimbábue os embaixadores da UE.

Os líderes também enviaram uma mensagem contundente sobre Afeganistão, Paquistão, Iraque e Mianmar (antiga Birmânia), ao mesmo tempo em que renovaram seu compromisso de apoio ao processo de paz no Oriente Médio e à crise em Darfur (Sudão).

O G8 pediu a Mianmar que possibilite "a transição pacífica para um Governo civil democrático e legítimo", e "liberte imediatamente" os reféns políticos, inclusive a líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

Os ministros renovaram seu compromisso de ajudar o Afeganistão e reforçar a estabilidade da fronteira com o Paquistão para lutarem de forma mais eficiente contra o terrorismo.

Este encontro de Kioto foi a última reunião ministerial realizada no Japão como ante-sala da próxima cúpula do G8 em Hokkaido (norte do país), que acontecerá dos dias 7 a 9 de julho. EFE icr/fh/gs

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